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Simpósio Sangue na Guelra - Reflexões (2)

por Paulina Mata, em 06.06.17

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O simpósio começou com uma conversa entre Maria de Lourdes Modesto e Duarte Calvão.

 

Maria de Lourdes Modesto começou por esclarecer que o seu trabalho sempre esteve relacionado com a cozinha familiar e não com a cozinha profissional. Disse em seguida que quando vai ao restaurante de um chefe português vai à procura do “bom”, espera comer bem, mas que não espera aí encontrar a cozinha portuguesa. Que não gosta que a expressão “cozinha portuguesa” sirva de guarda-chuva para coisas que não têm que ver com a sua matriz. Que por vezes sente a cozinha portuguesa traída, e que acredita que o mesmo pode acontecer com os clientes. Esclareceu ainda que, na sua opinião, a cozinha dos chefes portugueses não podia ser referida como Cozinha Portuguesa, mas foi mais longe, disse mesmo que também achava que não deveria ser referida como Nova Cozinha Portuguesa, mas sim como Nova Cozinha dos Chefes Portugueses.

 

Referiu ainda que a cozinha portuguesa nasceu das mãos de pessoas analfabetas, que os chefes que conheceu no início da sua carreira na televisão eram humildes, com pouca formação, mas pessoas com grandes conhecimentos técnicos. Que atualmente os chefes são instruídos e cultos, estão na profissão porque gostam, e que isso tem que passar para os pratos que oferecem nos seus restaurantes.

 

Duarte Calvão por sua vez falou da atitude do público, que considera ser atualmente menos conservador e mais aberto, e que distingue a cozinha tradicional da cozinha moderna. Embora considere que ainda há uma grande falta de cultura gastronómica em Portugal. Disse ainda que considerava que o boom recente do turismo teve uma importância decisiva na evolução da cozinha, trazendo muita gente nova com curiosidade em conhecer a cozinha tradicional e a dos chefes.

 

Maria de Lourdes Modesto falou ainda da inconstância dos projetos e dos chefes. Referindo que a grande cozinha francesa evoluiu através de projetos familiares e com várias décadas. Que a identidade do que o cozinheiro faz é importante. Que esta inconstância é prejudicial, que é importante que decidam o que querem fazer, prossigam com empenho essa linha de trabalho, e que o façam com amor. Que só essa carga emocional, esse amor e paixão pelo trabalho faz grandes cozinheiros.

 

Sobre esta inconstância, Duarte Calvão disse que também o preocupa quando, mantendo-se nos mesmos restaurantes, o chefe nunca lá está. Que compreende a importância das várias solicitações que exigem viagens, participações em eventos variados, mas que isso tem que ser doseado, pois não é compatível com uma evolução saudável da sua cozinha e seus projetos. Que por vezes o fascínio pelo papel de “chefe celebridade” faz com que alguns cozinheiros se transformem em homens de negócios e deixem de ser cozinheiros, aquilo que deveria ser a base desse reconhecimento. Tendo inclusivamente restaurantes com o nome deles, mas não estando lá nunca. Considera que os chefes têm que ser reconhecidos e ter visibilidade, mas para darem esse passo têm que ter cuidado para não se dissociarem da sua matriz e da sua origem.

 

Duarte Calvão numa das suas intervenções ainda referiu que se tem apercebido, particularmente depois de ter aderido ao faceboook, da falta de espírito crítico e reflexivo. Particularmente quando um cozinheiro faz uma intervenção ou dá uma entrevista que os comentários são sempre “és o maior” ou “és muito bom” e nunca há lugar a discussão e análise mais aprofundada.

 

Vou fazer uma confissão (Maria de Lourdes se ler isto não se zangue comigo), quando vi o programa do simpósio, e considerando que o Sangue na Guelra surgiu para dar visibilidade ao trabalho de chefes menos conhecidos, a projetos e atitudes mais vanguardistas e menos conformistas, estranhei a inclusão de Maria de Lourdes Modesto (e até um bocadinho a do Duarte Calvão) como oradores. Hoje, terminado o simpósio, e tendo tido tempo de refletir bem sobre o assunto. Acho que os dois fizeram a comunicação mais importante, com mais conhecimento do meio em Portugal, mas vendo-o de fora, com mais conhecimento dos seus pontos fortes e fracos, com mais interesse em que essa realidade evolua no bom caminho e que disseram o que é importante ser dito, sem paninhos quentes. De tal forma achei importante o que disseram, de tal forma concordo com tudo o que referiram, que achei importante destacar a sua contribuição e dedicar-lhes um post.

 

Considero que nesta apresentação no simpósio se tocaram pontos muito importantes e sobre os quais tenho refletido. Curiosamente nos últimos dias vi com os meus alunos o filme da RTVE - El Bulli, historia de un sueño – La Película sobre o percurso do El Bulli, desde 1956  (antes de Ferran Adria nascer), ano em que o casal Schilling adquiriu o espaço, até 2009. E o que mais se destaca é a persistência, a resiliência e sobretudo a paixão pelo que faziam. Fatores que acredito que foram decisivos para o trabalho que realizaram. Também acredito que esta falta de estabilidade é muito nociva.

 

Quanto aos chefes com uma variedade de projetos e que se tornaram estrelas de televisão ou homens de negócios. Considero que isso inicialmente pode ser útil para dar visibilidade ao seu trabalho, acredito que nalguns casos possa ser fundamental para manter restaurantes de topo que têm. Mas há aqui vários aspetos distintos, os programas de televisão, para além de roubarem tempo, a partir de certa altura tornam-se prejudiciais. Não acredito que nalguns casos o público alvo dos programas seja o dos seus restaurantes, e acredito que a imagem possa sair desgastada. A grande variedade de restaurantes pode também desfocar a sua imagem e gastar tempo e energia que seria necessária para outros voos. Mas em todos estes casos estamos a admitir que o objetivo máximo deveria ser o restaurante topo, uma linha de trabalho coerente e em evolução. Mas os chefes são pessoas com personalidades, ambições e valências diferentes e por vezes há outras componentes que os fazem felizes e há que respeitar isso. A decisão terá que ser deles, estando conscientes dos riscos, e refletindo bem sobre isso e sobre o que pretende a longo prazo. O importante é estarem conscientes de que tudo isto terá repercussões no seu trabalho e definirem quais são os seus objetivos. Depois estão no seu direito de tomarem as opções que bem entenderem.

 

Quando à falta de reflexão, análise e discussão sobre o que vai acontecendo, acho fundamental ter sido referido. Problema da época em que todos têm acesso à comunicação (o que considro bom), mas esta é muito imediata e pouco reflexiva e tudo se mede por likes (o que já não considero bom). Mas este é um aspeto mais geral no que à gastronomia diz respeito em Portugal. Exceptuando algumas críticas de restaurantes, não há artigos de opinião. Não há uma análise do que vai acontecendo. É grave e faz muita falta.

 

E para terminar não posso deixar de expressar a minha enorme admiração e agradecimento a Maria de Lourdes Modesto, pela forma viva, interventiva, atualizada, lúcida e sem "papas na língua" como ao longo de cerca de seis décadas tem acompanhando tudo o que acontece no mundo da gastronomia em Portugal e contribuído de forma decisiva para preservar o nosso património e para que tudo melhore e evolua.

 

 PS

Referi recentemente que não tinha visto artigos de reflexão e análise sobre este simpósio. Descobri recentemente que o Pedro Cruz Gomes, no seu blog Gastrossexual, também publicou alguns posts, e um deles Comer Bom é precisamente sobre o tema deste post. Aconselho a sua leitura.

Simpósio Sangue na Guelra - Reflexões (1)

por Paulina Mata, em 05.06.17

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Teve lugar há cerca de um mês a 5ª edição do Sangue na Guelra, desta vez com três componentes, os já habituais jantares com jovens chefes portugueses e estrangeiros, um festival de comida de rua em que participou um conjunto de chefes conhecidos e um simpósio em que o tema era “Cozinha Portuguesa - E Agora?”. Apenas estive no Simpósio e são as reflexões que tenho feito sobre ele que vou deixar aqui.

 

Trocas de ideias e experiências como estas são sempre interessantes, e é bom haver cada vez mais oportunidades para isso. Direi que este processo foi iniciado há 12 anos com o Congresso dos Cozinheiros organizado pelas Edições do Gosto de Paulo Amado, que persistentemente o vão organizando ano após ano. Neles há sempre períodos de debate e de apresentação de trabalhos de chefes. O mesmo tem acontecido no Peixe em Lisboa nos últimos 10 anos.

 

Há cinco anos a Amuse Bouche, de Ana Músico e Paulo Barata, começou a organizar o Sangue na Guelra e em algumas das edições também estiveram integrados simpósios, em que convidaram pessoas de várias áreas para apresentar trabalhos. Estes simpósios ocorriam num dos dias do Peixe em Lisboa, no período a tarde. Penso que este foi o primeiro simpósio organizado autonomamente.

 

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Ana Músico e Paulo Barata têm feito um bom trabalho e, de certa forma, complementar dos que referi antes. Admiro a iniciativa e estão de parabéns. Os jantares que organizaram nas cinco edições, apesar de interessantes e importantes, têm como público alvo um número limitado de pessoas e uma elite. Os seus preços elevados, que admito serem justos, não os tornam acessíveis a muita gente. Porém, este ano, com o festival de comida de rua, alargaram o seu público alvo.

 

O simpósio, mais acessível e com objetivos diferentes – dar a conhecer trabalhos, promover a transmissão de conhecimentos e incentivar à reflexão e trabalho em equipa, decorreu no HUB Criativo do Beato, num espaço preparado para o efeito num complexo industrial desativado. Tanto quanto soube foi o último evento que ali ocorreu pois entrará breve em obras. Tendo em conta as limitações do espaço, ocorreu num ambiente agradável e com conforto. Também por isso os organizadores estão de parabéns.

 

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Ao contrário dos anteriores simpósios Sangue na Guelra, que tanto quanto me lembro não tinham um tema base, este ano o simpósio foi temático e pretendeu ser uma reflexão sobre a cozinha portuguesa e o seu futuro – Cozinha Portuguesa - E Agora? É sobre este tema que me surge a primeira dúvida, pois não considero muito feliz a escolha do nome. A cozinha portuguesa é a cozinha de um povo, uma cozinha que reflete a geografia, a história e a cultura dos portugueses. Temos a sorte de, apesar de sermos um país pequeno, termos uma cozinha extremamente rica e diversificada. E a cozinha portuguesa é o conjunto da cozinha de todas as regiões de Portugal, com características bem diferentes, mas em que todos nos reconhecemos. Uma cozinha que continua viva em restaurantes regionais e na casa dos portugueses. Como qualquer cozinha, é uma cozinha dinâmica, em evolução permanente.

 

Diferente disto é a cozinha praticada pelos chefes portugueses. No meu entender essa não é a cozinha portuguesa, se bem que muitas vezes a tenha como base. Sendo este um factor diferenciador e importante e, do meu ponto de vista, fundamental para a sua originalidade e reconhecimento a nível internacional. Mas não considero que essa cozinha seja a cozinha portuguesa, e a ser é apenas uma pequeníssima componente e não pode ser discutida como o todo.

 

Acho importante fazer esta diferença e clarificar a forma como vejo estas coisas. A cozinha dos chefes pertence-lhes e ele podem decidir o rumo que lhe dão, discutir o seu futuro. A cozinha portuguesa é de todos nós e não depende deles. De facto, acredito que a sua preservação passa pelo trabalho de chefes, mas não destes chefes que praticam uma cozinha autoral. Atualmente a pressão relacionada com a criatividade, e para que cada chefe tenha uma linha de cozinha original parece-me excessiva e pouco realista. É importante dar uma boa formação a cozinheiros que aprofundem os seus conhecimentos sobre as várias cozinhas regionais e com os seus conhecimentos melhorem a qualidade, sem alterar o essencial. Mantendo as várias cozinhas regionais vivas, reconhecíveis, e coerentes com as memórias gastronómicas, mas sobretudo mantendo produtos e preparações dificilmente praticáveis pelas famílias, e com uma estética cuidada, mas que seja a nossa.

 

Voltando ao tema do simpósio, não me parece que fosse o objetivo do simpósio discutir para onde vai a cozinha portuguesa e, decididamente, não foi isso que ali aconteceu. Falou-se da cozinha dos chefes portugueses, e maioritariamente dos chefes portugueses que praticam uma cozinha autoral. Por tudo o que disse, penso que o tema deveria ter sido mais pensado e mais específico.

 

Posto isto, muito se passou no simpósio, vou dividir a discussão entre as apresentações temáticas de grupos de chefes e as apresentações por outras pessoas que também ocorreram.

 

O simpósio decorreu durante todo o dia e foi disponibilizado um almoço volante. Também relativamente ao almoço tenho que dar os parabéns à organização e a quem o preparou. Apesar de algum atraso, o que é compreensível pelas condições do espaço, a qualidade dos pratos servidos foi excelente. Pratos variados e mesmo muito bons. Aqui ficam fotos, embora faltem alguns que muito apreciei.

 

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Continua…

 

 

Borough Market

por Paulina Mata, em 04.06.17

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Memórias felizes despoletadas por acontecimentos tristes. Que mundo em que vivemos!

 

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Uma supresa em dose múltipla

por Paulina Mata, em 03.06.17

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Quando era miúda e se partia um ovo e ele tinha duas gemas era uma festa. Era inesperado, era uma surpresa, era divertido. Com o passar dos anos isso foi acontecendo cada vez menos. Justificava-o com o facto de os ovos que consumíamos quando era criança serem ovos caseiros e actualmente já não o serem, e estarem sujeitos a um controlo de qualidade em que eventualmente removeriam esses ovos. Não sei se tem algum fundamento, mas sempre achei que era uma possível razão.

 

Há dias, ao partir uns ovos para estrelar, partir um e tinha duas gemas. Inesperado! Parti segundo, e tinha duas gemas. Inesperadíssimo! Parti terceiro, e tinha duas gemas. Já nem tenho adjectivo para mais do que inesperadíssimo. Foi de facto uma surpresa a triplicar e muito divertida. 

 

Ainda tenho o resto da caixa, e estou na expectativa. Será que os outro três também têm duas gemas? 

 

 

A Massa Mãe do Sangue na Guelra e o meu Pão

por Paulina Mata, em 28.05.17

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Há pouco mais de três semanas fui ao Simpósio Sangue na Guelra. Lá Carlos Fernandes, David Jesus e José Avillez concluíram a sua apresentação, cujo tema era o pão, dizendo que este está muito ligado ao conceito de partilha, e esta foi simbolizada distribuindo pelo público um pouco de massa mãe para que a usassem para fazer pão. Tinha sido começada cerca de dois meses e meio antes quando iniciaram o trabalho que ali levaram. Pediram-nos que tratássemos bem dela, como se a nossa vida dependesse disso.

 

Era um pedacinho muito pequeno de massa mãe, mais ou menos do tamanho de uma noz. Para poder fazer pão com ela, era importante começar por alimentá-la e fazê-la crescer. Assim fiz. Uma semana depois já tinha um pedaço de massa mãe bem maior. Dividi-o ao meio, com uma parte continuei o processo de fazê-la crescer, alimentando-a. Com a outra metade fiz um pão. A quantidade ainda era pequena e eu não queria usar mas nenhuma levedura. Portanto fiz um pão pequeno, com cerca de 400 g.

 

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A metade restante foi crescendo e hoje já tinha cerca de 400 g.

 

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Dividi-a em duas, alimentei uma das partes para que crescesse de novo. Com a outra parte fiz um pão. Desta vez bem maior, tem 1,207 kg.

 

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Foi também um bom pretexto para refletir um pouco sobre o Simpósio Sangue na Guelra e o que lá vi (a verdade é que tenho pensado bastante nisso).  Um simpósio como aquele merece que se pense sobre o que ali passou, que se analise, que se expressem diferentes opiniões. Não sei se isso aconteceu ou não. Aquilo a que tive acesso limitou-se a relatos, mais ou menos factuais, ou então carregados de alguma emoção e pouco críticos. Sinto a falta de uma análise com características diferentes sobre o que por lá se passou, porque acho que só assim se pode crescer. À falta dela, nos próximos dias darei a minha contribuição.

 

 

O Comboio Presidencial - uma Viagem Incrível (3)

por Paulina Mata, em 27.05.17

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Mais uma pequena caminhada pela Quinta do Vesúvio e chegámos ao apeadeiro onde esperámos um pouco pelo Comboio Presidencial que ali nos tinha deixado duas horas antes para desfrutarmos da quinta e seus produtos, mas também para o comboio fazer inversão de marcha e para que tudo fosse preparado para o percurso de regresso ao Porto.

 

Já no comboio, uns escolheram ficar no bar, com música ao vivo, outros regressaram às cabines para descansar, eventualmente com um livro (escolhido pela Fundação de Serralves). Eu escolhi ficar à mesa, a conversar e a observar a paisagem. Mas havia mais motivos para isso... bombons, scones e bolos, e chá da TWG eram uma boa justificação.

 

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Chegámos ao Peso da Régua. Parámos, e no comboio entraram algumas vendedoras dos famosos rebuçados da Régua, feitos de forma muito artesanal de açúcar, limão e mel. E todos nós recebemos um saquinho de rebuçados.

 

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Houve então tempo de visitar todo o comboio, ir até à cozinha, onde o Vitor Areias me mostrou o espaço e explicou como funcionava. E eu perguntava: Mas tudo o que serviram saíu deste pequeno espaço? Atravessou o comboio inteiro? E ali ao lado já se preparava o que comeríamos em seguida, antes de chegar ao Porto.

 

Voltei à mesa para comer uns deliciosos enchidos - salpicão, lombo, lombo fumado, cabeça de xara. E que cabeça de xara! Acho que a melhor que comi. Comentei com o Gonçalo Castel-Branco e ele disse-me que era feita pela Dona Octávia no Cano (Alentejo). A acompanhar, um copo de vinho e o pão da Gleba, que aliás já tinha acompanhado o almoço.

 

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Os enchidos eram excelentes e eu e o Diogo Amorim rapidamente os acabámos. Pedimos mais. É que aquela cabeça de xara era mesmo muito boa. E os pães da Gleba também, e ainda melhores com o Diogo ali ao lado a falar da Gleba, dos pães que tem feito, da forma como estava a correr, dos projectos. Também conversámos sobre iscos e sobre a paisagem, e sobre muitas outras coisas. Depois ainda vieram algumas conservas da José Gourmet. 

 

Mas nem só de comida se vive no Comboio Presidencial, enquanto comíamos também pudemos desfrutar de música ao vivo.

 

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Tudo o que é bom também acaba... e 9 horas depois da partida, regressámos à estação de São Bento e foi altura de voltar à vida real...

 

Mas à saída ainda recebemos um livrinho com um resumo da experiência que tínhamos acabado de viver.

 

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Um excelente trabalho de toda a equipa do Comboio Presidencial. Um conjunto de produtos que contribuiu para a qualidade da experiência. Um enorme obrigada e muitos parabéns ao Gonçalo Castel-Branco, pela ideia e a forma como a concretizou, pela excelente experiência que proporciona a todos quantos embarcam no comboio presidencial para uma viagem inesquecível.

 

O Comboio Presidencial vai voltar na época das vindimas, para uma nova experiência, seguramente diferente, mas que será igualmente mágica e inesquecível.

 

 

 

 

 

O Comboio Presidencial - uma Viagem Incrível (2)

por Paulina Mata, em 26.05.17

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O tempo estava óptimo, sem chuva e com um agradável temperatura, o Comboio Presidencial foi prosseguindo do longo do rio Douro, e todos os detalhes tinham sido pensados para tornar a viagem numa experiência inesquecível... A paisagem também ajudava.

 

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Por volta das 15 horas chegámos ao apeadeiro ferroviário do Vesúvio, a 190 km do Porto, para uma visita à Quinta do Vesúvio, a preferida de D. Antónia Adelaide Ferreira - a Ferreirinha. D. Antónia foi a primeira a engarrafar e comercializar o vinho de uma quinta como o nome desta, fê-lo em1868 com o Porto Vintage Quinta do Vesúvio, o que contribuiu para estabelecer a reputação desta quinta actualmente propriedade da família Symington.

 

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Depois de um breve percurso pela quinta, esperavam-nos alguns momentos de repouso, com vinhos, cafés, chás e charutos, num agradável terraço com uma magnífica vista sobre a quinta.

 

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Mais uma pequena caminhada ao longo do rio até ao lagar da quinta, e a possibilidade de provar um vinho do Porto Graham's Vintage diretamente da barrica.

 

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E a hora do regresso aproximava-se.

 

Continua...

 

 

O Comboio Presidencial - uma Viagem Incrível (1)

por Paulina Mata, em 25.05.17

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Há alguns dias recebi um convite para uma viagem imperdível. Rapidamente organizei tudo para estar no Porto no dia da viagem e pelas 10 h e 30 m cheguei à lindíssima, e centenária, estação de São Bento repleta de turistas. Ainda era cedo e aproveitei para admirar os mais de 20000 azulejos da autoria do pintor Jorge Colaço.

 

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Depois entrei e imediatamente vi o comboio onde passaria o dia. Um comboio construído em 1890 no reinado de D. Luis I e que recebeu o nome de Comboio Real. Mais tarde, no início do século XX, o nome foi alterado para Comboio Presidencial tendo transportado os Chefes de Estado portugueses até 1970. Nele viajaram, para além de Reis e Governantes,  pessoas como a Rainha Isabel II e o Papa Paulo VI. Em 2010 foi restaurado, tendo-lhe sido devolvido o charme e uma forma tão próxima da original quanto possível. Está desde então em exposição no Museu Nacional Ferroviário.

 

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Numa visita ao museu, Gonçalo Castel Branco apaixonou-se pelo Comboio Presidencial. A sua filha Inês sonhou com a possibilidade de o ver de novo circular, com todo o esplendor de outras épocas. Gonçalo decidiu pôr em prática a ideia.  O objetivo era proporcionar viagens inesquecíveis e mágicas a bordo deste histórico comboio, num ambiente de luxo, passando por paisagens de perder a respiração e servindo refeições de elevado nível e disponibilizando os melhores produtos que encontrasse. 

 

A primeira edição das viagens no Comboio Presidencial decorreu em 2016, na edição de Primavera de 2017 os chefes responsáveis pela refeição servida a bordo foram chefes de reconhecido prestígio.

 

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No dia em que viajei o responsável pelo almoço foi o Chefe João Rodrigues. Ainda mal tínhamos saído da Estação de São Bento e já nos estavam a servir um vinho e os amuse-bouche.

 

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Cubos de Melão Impregnados com Hibisco e Lima / Falsas Cerejas de Foie Gras / Telhas com Amendoim

 

Serviram de introdução para estabelecer a conversa com os companheiros de cabine. Mas pouco depois chamaram-nos para almoçar.

 

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E o excelente almoço, com um óptimo pairing de vinhos, começou a ser servido. 

 

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Espargos Brancos / Maionese de Alhos Fermentados / Crumble de Cebola

Niepoort Moscatel Dócil 2004

 

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Carabineiro do Algarve  /  Molho  de Carabineiro  /  Iodado de Ervilhas 

Redoma Reserva 2015

 

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 Pregado / Raízes (topinambo e salsifis) / Molho de Espumante, Bivalves e Crustáceos

Quinta do Vallado Reserva Branco 2015

 

Entretanto íamos admirando a belíssima paisagem e estações por onde íamos passando enquanto comíamos. 

 

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 Matança do Porco  (Presa de Porco / Coração de Alface)

Vale D. Maria VVV Valeys 2014  Douro Tinto

 

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Eucalipto / Pinhão / Pinheiro

Niepoort Porto Branco 10 anos

 

Uma sobremesa excelente a lembrar um passeio na floresta a que se seguiu chá e café acompanhados com petit fours.

 

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Na cozinha, para receber os chefes convidados, o Chefe Vítor Areias e uma equipa em que participavam alunos da Escola de Hotelaria do Porto. Também desta escola vieram os alunos que serviram as refeições durante o dia. Impressionante o trabalho da cozinha e o serviço num comboio em movimento e que trepidava bastante. Sobretudo se tivermos em conta que a cozinha era muito pequena e num dos extremos do comboio, e que havia três salas de refeições. Impressionante também o ritmo a que a refeição foi servida. Era impossível fazer melhor.

 

Continuámos sentados à mesa a conversar e a admirar a paisagem de cortar a respiração.

 

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Continua...

Outros sabores. Que bem que sabem! Que bem que fazem! (2)

por Paulina Mata, em 21.05.17

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Não parece, mas estávamos a trabalhar. Estivemos várias horas nesta mesa a trabalhar. Mas o começo, com outros sabores, que bem que soube! Que bem que fez!

 

 

Quase parecem queijo!

por Paulina Mata, em 21.05.17

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Espantosas estas alternativas  ao queijo sem produtos animais. O aspecto tão real!

 

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Comemo-las ontem o lanche. O sabor do "camembert" excelente, quase enganava. O outro ainda precisa de alguma afinação no gosto, mas já é muito agradável. 

 

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Alternativas ao queijo de produção artesanal e difíceis de encontrar. Muito, muito interessante!