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Assins & Assados

Estou mesmo fora se moda... e gosto.

por Paulina Mata, em 20.04.17

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"I hate the phrase "Fine Dining". The era of sitting in a restaurant for hours, eating eight courses, is over." 

Claude Bosi (Revista Jamie - Abril 2017)

 

Estou mesmo fora de moda, para mim das coisas boas da vida é estar sentada à mesa muitas horas, a comer oito pratos ou mais...

 

 

 

 

O que têm em comum o Alentejo e a Tailândia? Ambos influenciam a cozinha de Miguel Laffan.

por Paulina Mata, em 18.04.17

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Normalmente nas apresentações do Peixe em Lisboa fazem-se 2 ou 3 pratos. Mas por vezes acontece ser um menu de degustação inteiro... e até chega a surgir um ou outro prato sem peixe... foi o que aconteceu com o Miguel Laffan do restaurante L'And em Montemor-o-Novo.

 

A cozinha do Miguel Laffan é uma cozinha essencialmente portuguesa, mas muito influenciada pela escola francesa. Contudo tem também a presença de outros sabores, e principalmente os tailandeses que o marcaram muito em visitas que fez à Tailândia. De facto os componentes do menu incluem referências a produtos e pratos alentejanos, o local onde está ao restaurante, técnicas, formas de apresentação e composição dos pratos da cozinha francesa, mas também alguns apontamentos asiáticos, em vários pratos e na introdução de uma sopa tailandesa com os seus sabores de leite de coco, galanga, lima kaffir, erva príncipe, molho de peixe e manjericão.

 

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Cabeça de xara, tártaro de lagostins, caviar, puré de funcho, salada de cenoura com maracujá e bergamota

 

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 "Empada de caça", caldo de vitela, foie-gras, puré de manga com caril madras

 

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Sopa Tom Yum Kung (caldo no jarro) - Carabineiro, gamba rosa, noodles de arroz, amêndoa e coentro (no prato)
 
 

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Salmonete com migas de piso de coentros e berbigão, lula salteada, molho de caldeirada de lulas  e pimentos

 

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 Presa de porco alentejano, puré de aipo bola, salsifi em pó de trombetas da morte, puré de alho e salsa

 

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Peito de pato curado com citrinos, puré de ervilhas, wasabi e lima, pak choi, cogumelos e molho de amendoim

 

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Texturas de framboesa, gelado de chocolate branco

 

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Lichias "In the sky with diamonds", gelado de pêra, pinhões caramelizados e iogurte 

 

Conhecendo o Miguel Laffan há muitos anos, desde o tempo do Forum da Nova Crítica, em que houve uma época em que o Miguel participava frequentemente, e não tendo ainda tido a oportunidade de conhecer a sua cozinha no L'And, gostei particularmente desta apresentação. Permitiu-me conhecer melhor o trabalho do Miguel. Embora não sendo completamente representativo, já que os pratos feitos para uma apresentação destas não terão certamente o rigor e qualidade dos servidos no restaurante, no final provei os pratos e gostei muito. Fiquei com muita vontade de ir ao L'And e a sobremesa será certamente as Lichias "In the sky with diamonds". Delicioso!

 

E neste sétimo dia do Peixe em Lisboa, ainda tive oportunidade de visitar o Mercado Gourmet e trazer para casa alguns produtos da Loja do Sal das Salinas de Rio Maior (na foto os originais "queijos" se sal (tradicional) e de sal e pimenta (uma inovação mais recente) ) e os produtos Bísaro.

 

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E ainda comi  

 

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 Pho Bô de lapas e caldo de carne

Rabo d'Pêxe - Paulo Morais

 

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Sushi e Sashimi

Rabo d'Pêxe - Paulo Morais

 

Conversas Gastronómicas no Peixe em Lisboa

por Paulina Mata, em 13.04.17

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O que me atrai mais no Peixe em Lisboa são as apresentações de chefes e, sobretudo, os debates, pois adoro uma boa discussão bem argumentada. No 6º dia do Peixe em Lisboa teve lugar um destes com Alexandra Prado Coelho (jornalista do Público), Jorge Guitián (divulgador gastronómico, Espanha), Miguel Pires (jornalista gastronómico) e Tiago Pais (jornalista do Observador), moderado por Duarte Calvão.

 

Começou por se falar de chefes e do seu papel na internacionalização da cozinha portuguesa. Uma visão exterior de quem, ao praticar um jornalismo gastronómico, acompanha esse trabalho e a evolução da cozinha portuguesa e da sua visibilidade no exterior. Um debate onde não estavam presentes os atores principais. Chefes, tanto quanto dei por isso, estava apenas 1 até meio do debate e no final havia 2.

 

Entre outros temas, falou-se também do papel da comunicação social como motor para promover e incentivar esta evolução. Tendo sido referida a dificuldade de incluir nas opções editoriais trabalhos sobre chefes menos conhecidos, pois são artigos que acabam por ter menos visibilidade. A falta de verbas e interesse para trabalhos de investigação mais aprofundados, também foi referido.

 

Discutiu-se também a preservação da nossa gastronomia tradicional e o papel dos restaurantes nesse processo. Muitos dos pratos já não são consumidos em casa, muita gente já não os sabe preparar. Falou-se da falta de conhecimentos culinários das gerações mais recentes, em que a referência muitas vezes são as avós e não as mães, pois estas também já cozinham pouco. Questionou-se se a reinterpretação destes pratos pelos chefes é uma forma de preservar a cozinha portuguesa.

 

Como em qualquer debate o tempo é sempre escasso, e é difícil chegar a consensos e conclusões. Mas é sempre interessante ouvir as várias visões e opiniões, e neste caso o debate foi bem animado e os assuntos abordados variados. Muitas pistas para futuras discussões, muitas coisas que dão que pensar.

 

Mais uma vez, a mim pessoalmente, deu que pensar a ausência de chefes e estudantes de cozinha. Relativamente à cobertura pela imprensa do que se passa no mundo da gastronomia, compreendi que é difícil que possa ir para além do que acontece atualmente. Independentemente do interesse, e vontade dos jornalistas gastronómicos, já que os critérios editoriais não são definidos por eles. Vivemos numa época em que tudo é contabilizado, apenas números contam e outros objetivos e papéis que a imprensa pudesse ter com maior valor e mais interessantes, acabam por ficar excluídos. É pena. Mas é o mundo e a época em que vivemos. Tal acaba também por justificar a sensação que todos temos de que se fala sempre dos mesmos.

 

Relativamente à preservação da cozinha portuguesa, as várias questões levantadas deram-me que pensar. Aliás, uma questão que me ponho há muito é se as reinterpretações, ou inspirações, nos pratos autorais ajudam na preservação da nossa cozinha tradicional. Não me parece. Penso que esta aproximação pode ajudar a divulgar os nossos sabores, a despertar curiosidade, penso também que valoriza essas cozinhas autorais, não me parece que de alguma forma contribua para preservar a tradição. Tradição que obviamente é dinâmica e evolutiva, mas penso que estes trabalhos não têm o alcance suficiente, ou são suficientemente entendidos por um público mais abrangente para que tal aconteça. No debate não se chegou a uma discussão destes aspetos, foram apenas questões que foram levantadas.

 

Por outro lado, acho que as escolas de cozinha deviam ter um papel importante em formar chefes que com qualidade preservassem a tradição. Sem reinterpretações, apenas com melhoramento das técnicas. De facto, era importante um trabalho de investigação profundo para uma parametrização e atualização das técnicas usadas sem descaracterização. Em que o resultado fosse o tradicional, mas com uma qualidade superior.  Acho mesmo este trabalho fundamental.

 

Há dias lia um texto do Chefe Nuno Diniz na Inter sobre a atribuição das estrelas Michelin e a falta de sensibilidade destes para as cozinhas tradicionais. Pus-me a questão de se mesmo os melhores restaurantes que a praticam não beneficiariam de um trabalho deste tipo e apoio, até em questões de ambiente e serviço, de forma a fornecerem um trabalho com mais qualidade. Na maioria deles, mesmo sendo a comida boa, poderia melhorar, e há muitas falhas noutros aspetos. Nalguns dos exemplos dados no artigo, e que conheço, não vi que fosse injustiça a não atribuição de uma estrela, mesmo quando há potencialidades, acho que muito trabalho há a fazer. Não tenho dúvidas que a preservação de muitos dos nossos pratos passará pelos restaurantes e que isso exigirá uma formação nas escolas e uma valorização desse trabalho, muitas vezes não tão considerado face à criatividade de outras aproximações.

 

Mas não sou muito pessimista relativamente ao que se passa nas casas dos portugueses. Se receitas e técnicas estiverem bem documentadas, e muitas vezes estão, poderão continuar vivas nos hábitos alimentares. Dá o mesmo (ou mais) trabalho procurar uma prato italiano, ou asiático para cozinhar, do que um prato da nossa cozinha tradicional. E quem gosta de cozinhar pode sem dificuldade continuar a preservar as nossas tradições. Dantes as receitas passavam de geração em geração, agora a diversidade é maior, esta forma de preservar tradições não é a única, e eventualmente é bastante menos representativa, mas há outras que podem ser igualmente eficientes. Nunca a informação esteve tão disponível e é tão fácil o acesso a ela. As pessoas gostam e esses pratos continuam a ser importantes, mesmo não tendo tempo para cozinhar. Basta olhar para a arca congeladora de um supermercado e ver o que são a grande maioria das refeições pré-preparadas disponíveis. Portanto haverá sempre quem os cozinhe.

 

Depois do debate surgiu a oportunidade de ver a apresentação do trabalho de 3 chefes estrelados do Norte. Uma hora para 3 chefes é um tempo curto, não dá para cada um passar uma imagem completa e bem focada do conceito subjacente ao seu trabalho. Mas dá para ter a noção das diferentes aproximações. E nestes três casos eram tão diferentes! Mas fiquei com algumas dúvidas sobre este novo modelo de apresentações (e sem certezas nenhumas…).

 

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Rui Paula – Restaurante Boa Nova (1 * Michelin)

Prato do menu Atlântico. Sabores exóticos inspirados pelos descobrimentos.

 

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Ricardo Costa – The Yeatman (2* Michelin)

Prato da carta. Inspirado na caldeirada e nos sabores do peixe grelhado no carvão. Grande rigor técnico e recurso a técnicas atuais.

 

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Vitor Matos -  Antiqvvm (1* Michelin)

Prato de grande complexidade. Cozinha de construção, grande número de ingredientes (neste caso pelo menos 20), em que cada um tem o seu papel e contribuição definida para o objetivo final.

 

Entretanto, entre o debate e a apresentação dos chefes tive oportunidade de provar:

 

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Espadarte marinado com especiarias, salada de funcho e citrinos

Chapitô à Mesa – Bertílio Gomes

 

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Puntillitas com molho de citrinos e coentros

Ibo – João Pedrosa

 

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 Navalhas na chapa

Ribamar – Hélder Chagas

 

 Deu também para passear pelo (mini) Mercado Gourmet de onde comi

 

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Ostras da Ostraria

 

E trouxe umas magníficas mini clementinas em calda de açúcar do Convento dos Cardaes (no canto inferior esquerdo).

 

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Quem não provou nem sabe o que perdeu!

 

Segunda-feira no Peixe em Lisboa foi dia de Caldos

por Paulina Mata, em 09.04.17

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Segunda feira vim a correr da faculdade para, ao fim da tarde, assistir à apresentação de Ricard Camarena. Saiu recentemente um livro deste chefe sobre caldos e foram essencialmente eles o tema da sua apresentação. Ricard Camarena usa técnicas bem diferentes das habituais para preparar os seus caldos. Não são todas técnicas desenvolvidas por si, mas técnicas que tem vindo a usar e a adaptar às suas necessidades e produtos que usa. Mais do que apresentar as técnicas, Ricard Camarena explicou-as e aos seus fundamentos.  

 

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Sei que nem toda as gente na assistência as entendeu, falei com pessoas que me disseram isso. Quando o ouvi ainda fiquei com mais pena de não ter tido a oportunidade de comentar e traduzir o que ele estava a dizer e a fazer, pois foi uma apresentação não só muito informativa e interessante, como formativa. Por esta razão, acho absolutamente lamentável que não houvesse praticamente chefes na assistência, nem estudantes de cozinha. Será que sabem tudo? Será que não têm interesse em ver outros trabalhos e experiências? Pois é pena, porque sem verem sempre mais e abrirem horizontes a evolução das suas cozinhas e conhecimentos dificilmente sairá do "mais do mesmo" e de coisas relativamente básicas e mal fundamentadas.

 

Bem, é altura de voltar aos caldos… Ricard Camarena para fazer os seus, ou pelo menos parte deles, usa a panela de pressão. Tal tem muitíssimas vantagens. E bem usada não é preciso ter medo dela, como algumas pessoas têm. A panela de pressão, também usada por Heston Blumenthal para fazer todos os seus caldos, tem inúmeras vantagens como se pode ver no slide que costumo usar nas aulas quando discutimos as várias técnicas de fazer caldos.

 

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Em resumo, caldos que se fazem em menos tempo e incrivelmente mais saborosos, pois os compostos voláteis que lhes dão aroma não se perdem (costumo dizer que quando cheira muito bem, é porque aquilo já não está no prato e este vai saber menos bem), e ainda por se formarem muito mais compostos que dão aromas agradáveis, já que a temperatura mais alta o permite. Os caldos ficam ainda menos turvos, pois a ebulição é menos turbulenta. Claro que neste processo se usa muito pouca água e portanto não é necessário reduzir, o que faz com que ainda se percam menos voláteis.

 

Ricard Camarena fez um caldo branco e um outro mais escuro pois usava pasta de tomate na sua confeção. Este último com bastante azeite, e no final obtinha uma emulsão extremamente saborosa. Toda a gente na assistência teve oportunidade de os provar.

 

Curiosamente Ricard Camarena não tempera os caldos com sal, em vez disso usa o líquido que escorre das barricas das anchovas. Muito semelhante ao garum muito usado no Império Romano e que até era bastante produzido em Tróia. Não teremos todos acesso ao líquido das barricas de anchovas, mas temos a um produto idêntico que se vende em todas as mercearias asiáticas, e até nas grandes superfícies, o molho de peixe usado pelos tailandeses para temperar a sua comida. Também eles não usam sal, mas este molho. Usam-no pois é salgado, confere um sabor mais complexos, mas sobretudo porque tem uma quantidade grande de compostos umami, tornando o resultado final ainda mais interessante.

 

Outra coisa de que gostei, foi o facto de assumir ali que usa tomate todo o ano. Na altura dele, com o tomate biológico bem maduro e saboroso, fazem no restaurante uma conserva que usam durante o resto do ano. Gostei muito de ter assumido e explicado isto tudo. Confesso que estou bem cansada da conversa da sazonalidade levada ao extremo. Sempre houve necessidade de guardar os produtos para épocas de escassez e de os conservar. Estas formas de conservação geram novos produtos, novos sabores e permitem aproveitar produtos e aumentar a sustentabilidade. Porque não desfrutar deles nestas formas fora da estação? Não é tão válido e tão interessante como desfrutar deles na estação? Agora se as expectativas são as do sabor do produto fresco, aí as expectativas é que estão erradas, não o produto.

 

Mas Ricard Camarena falou também da pasta de tomate que fazem, que é obtida a pressão reduzida, de forma a que a água evapore por volta dos 40 ºC, evitando-se que outros compostos se volatilizem em grande quantidade e permitindo obter uma pasta com mais qualidade, sabores mais frescos e menos sabores de caramelização ou reações de Maillard. Neste caso já entra a tecnologia e o conhecimento científico para o poder fazer.

 

Depois dos dois caldos finalizados, o que levou pouco menos de meia hora, filtrou-os e emulsionou ambos com xantano. Explicando as razões para o fazer, não adiciona sabor, e dá uma melhor textura e um molho mais ligado. No caso do molho com tomate, que tinha muito azeite, estabiliza também a emulsão  Usou estes caldos espessados para os pratos que fez.

 

 

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Finalmente usou uma outra técnica para fazer um consomé de carabineiros. Misturou cabeças e pedaços de carabineiros, pedaços de pregado, água (o mesmo peso do peixe que usa), xerez, pasta de tamarindo, vinagre de arroz negro, erva príncipe, folhas de lima kaffir e bateu tudo muito bem até obter um creme espesso. Ferveu-o depois e, além de uma extração dos compostos aromáticos e da gelatina do peixe muito eficiente, a proteína do peixe funciona como o agente clarificante que remove o que está em suspensão. Assim, basta filtrar e obtém um caldo muito límpido. Evita desta forma o processo de clarificação com a clara de ovo que remove imenso sabor. Menos de 15 minutos do princípio ao fim, para um caldo extremamente rico e saboroso. 

 

 

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Excelente apresentação. Pena o público ser tão reduzido. Incompreensível. Preocupante.

 

Durante o dia ainda tive oportunidade de comer:

 

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Arroz asiático de coentros, yuzu e puntillitas

Ritz Four Seasons – Pascal Meynard

 

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Choco Ritz

Ritz Four Seasons – Pascal Meynard

 

Se o arroz me soube a pouco, o choco estava excelente. Mas excelente estava também o bao de caranguejo que se seguiu.

 

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Bao de caranguejo de casca mole

A Taberna da Rua das Flores - André Magalhães

 

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Chips de batata doce, mandioca e banana pão com "togarashi" de camarão

A Taberna da Rua das Flores - André Magalhães

 

À saída passei pelo (reduzidíssimo) mercado gourmet e trouxe uma bombons dos Chocolate D’Odette.

 

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E o Domingo foi no Peixe em Lisboa

por Paulina Mata, em 04.04.17

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Domingo voltei ao Pavilhão Carlos Lopes, logo a seguir ao almoço queria conhecer o trabalho de Pedro Pena Bastos na Herdade do Esporão.

 

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Falarei dele com mais detalhe mais tarde. Só para abrir o apetite, desvendo que ele ia acompanhado de uns irrequietos lagostins do rio. De vez em quando lá saltava um para o chão... mas alguns acabaram no prato.

 

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E de um ameaçador lúcio-perca.

 

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Mais ao fim da tarde Justa Nobre, Vítor Sobral e Mário Rolando prepararam três pratos que nos deram a provar (o que não é habitual, mas foi uma agradável surpresa). Polvo, Carapau e Cavala que são espécies a consumir.

 

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Bola de cavala - Mário Rolando

 

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Carapau marinado com laranja, carapau em vinha d'alhos panado com puré de maçã, carapau curado com cebola e amêndoa torrada. - Vítor Sobral

 

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Cataplana de polvo com batata doce, acompanhada de cuscos transmontanos com linguiça - Justa Nobre

 

Um novo formato de apresentação, dinâmico, engraçado e que tem a enorme vantagem de irmos comendo os vários pratos.

 

Entre as duas apresentações foi altura de aconchegar o apetite com:

 

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Choco frito, bolo do caco, maionese de coentros

Henrique Sá Pessoa

 

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Pastéis de brandade de bacalhau com aioli de fígados de bacalhau fumados

 

O domingo foi no Peixe em Lisboa, e na segunda-feira voltei para um excelente apresentação.

Em Abril ... Peixe em Lisboa

por Paulina Mata, em 03.04.17

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Chega a Abril e com ele o Peixe e Lisboa. Acontece há 10 anos. Fui a todas as edições e tento ir o máximo possível. Encontram-se amigos, alguns que só encontro uma vez por ano por ali. Conversa-se muito, à volta de uma mesa provando alguns dos pratos dos dez restaurantes presentes. Mas o que mais me interessa, são sem dúvida as apresentações de chefes e os debates.

Este ano lá tenho estado também, tanto quanto possível. No sábado só consegui chegar a meio da apresentação de Sergi Arola e Milton Anes. 

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Só deu mesmo para os ver preparar a sobremesa. Maravilhosa! Não era de peixe, mas era um peixe. Uma sardinha com a grelha e tudo.

 

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No final pude ver os outros pratos que apresentaram. E fiquei com mais pena de ter chegado tarde... É tão interessante ouvir chefes que apresentam trabalho deste nível a falar dele. Fiquei também com pena de haver tão poucos jovens cozinheiros e estudantes de cozinha na assistência. Estas apresentações permitem aprender, conhecer novas técnicas, abrir horizontes...

 

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Foi também o dia de provar os primeiros pratos nos restaurantes. Entre eles:

 

Do Boi-Cavalo - Hugo Brito

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Camarão da costa, xerém de pipocas, vinagreta de algas

 

Do Chef Kiko

 

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Taco d’O Talho com algas

 

Da Taberna da Rua das Flores - André Magalhães

 

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 Leite Creme com algas

 

Ainda não me habituei ao novo espaço no Pavilhão Carlos Lopes. Sinto a falta do charme do Páteo da Galé e do Terreiro do Paço...

 

 

Voltanto ao óleo com ZERO calorias...

por Paulina Mata, em 02.04.17

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Depois de ler o post anterior, já estava de água na boca com a perspectiva de comer umas batatinhas fritas 100% saudáveis? Pois tire o cavalinho da chuva. Mentira de 1 de Abril. Mas apenas parte, a da possibilidade deste óleo estar disponível nos supermercados. Tudo o resto é real.

 

Em 1968 o departamento de investigação da Procter & Gamble trabalhava num projecto para desenvolver uma gordura que fosse mais facilmente digerida por crianças, e sobretudo bebés prematuros, e lhes fornecesse mais energia. O produto que obtiveram não satisfazia os objectivos, pelo facto de não ser alterado nem absorvido pelo organismo.  De facto as suas moléculas, bem maiores que as de um óleo de cozinha comum, não eram metabolizadas pelo organismo humano.

 

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 estrutura típica de uma gordura comum (as dos óleos são semelhantes)

 

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 estrutura do produto desenvolvido - olestra

 

Ao verificarem isso consideraram que podia ser um produto interessante noutras situações. Era um óleo, com um comportamento idêntico ao dos óleos tradicionais, mas que não era metabolizado pelo organismo, e portanto sem muitos dos seus inconvenientes, não engordava e não provocava doenças cardiovasculares. Ainda por cima, permitia obter pratos com características organoléticas idênticas ou melhores que os óleos de cozinha habituais. As suas potencialidades eram muito prometedoras. Deram-lhe o nome de Olestra, sendo o nome comercial Olean.

 

Mas não há rosas sem espinhos, e o que era a característica mais interessante deste óleo, era também a que punha em causa o seu sucesso. De facto, ao passar inalterado pelo organismo provocava desconforto gastrointestinal e arrastava alguns nutrientes, como é o caso das vitaminas liposolúveis (A, D, E e K) ou carotenóides, sobretudo quando eram ingeridos simultaneamente com ele. Durante algum tempo esta informação até surgia  nos rótulos, Depois foi considerado que não era necessário.

 

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O facto de arrastar consigo alguns nutrientes podia ser ultrapassado, por exemplo enriquecendo este óleo com essas vitaminas. Quanto aos outros problemas, era um pouco mais complicado. O olestra provocava nalgumas pessoas cólicas, diarreia e perdas involuntárias. Ou seja, comendo muito olestra ele, pelo facto de não ser metabolizado, escorria pelo intestino e saía pela única saída que encontrava, sem que isso pudesse ser controlado. Também neste caso havia uma forma de ultrapassar o problema que era transformar o olestra numa gordura sólida, ou pelo menos tão espessa como a maionese. Mas isso poderia comprometer as características de alguns produtos como é o caso das batatas fritas.

 

De qualquer forma, o Olestra foi aprovado pela FDA a 24 de Jeneiro de 1996 para ser usada em alimentação humana, mas apenas em snacks. Tanto quanto sei continua a ser usado. Mas apenas nos EUA, nunca foi aprovado na Europa nem no Canadá. Considera-se que são necessários mais estudos para compreender melhor os seus efeitos.

 

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Segundo um relato, bem informado e carregado de humor, optimista e entusiasmado, do jornalista Jeffrey Steingarten, publicado em 1997 no seu livro The Man Who Ate Everything, os produtos obtidos com Olestra, e versões sólidas desta gordura, tinham muita qualidade do ponto de vista de sabor e textura, sendo por vezes superiores às versões tradicionais. Portanto fritos com óleos com 0 calorias é possível e, eventualmente, um dia estará ao alcance de todos. 

 

 

Óleo para fritar com ZERO calorias!

por Paulina Mata, em 01.04.17

 


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Batatas fritas, estaladiças, douradinhas. Apetitosas! Deliciosas! E se lhes disser que brevemente as poderá comer sem culpas? Sem mais calorias do que uma batata cozida? Tal é já possível, e brevemente estará ao seu alcance.

 

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Nas prateleiras dos supermercados surgirão garrafas de óleo para fritar que não é metabolizado pelo organismo humano, e portanto contribuirá com 0 calorias. Tão saudável que emagrece só de olhar! Um sonho!

 

PS

Não vai chegar nada às prateleiras dos supermercados... Mentira de 1º de Abril.  :)

Porém, nem tudo é mentira. O óleo existe há muito. Amanhã explico tudo.

 

 

 

 

Numa outra vida devo ter vivido num país asiático (I)

por Paulina Mata, em 31.03.17

 

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Não sei se temos várias vidas. Mas, se tal acontece, numa outra devo ter vivido num país asiático, já que as minhas visitas a países asiáticos foram muito poucas, e os sabores e texturas das comidas asiáticas nunca me parecem estranhos. Raramente decorre muito tempo entre duas refeições asiáticas, já que lhes sinto a falta e se torna urgente.

 

Por vezes há situações divertidas. Há dias no The Old House ao pedir para sobremesa Bing Fen, que já tinha comido numa visita anterior, o empregado de mesa (chinês) perguntou-me, meio desconfiado, se já tinha comido alguma vez. Disse-lhe que sim.

 

Chegou o Bing Fen, com os pedaços de gel de agar praticamente sem sabor, penso que feitos apenas com água, que misturei bem com o caramelo e o xarope, e ainda as sementes de sésamo, bagas de goji e outros frutos secos. Pouco tempo depois de ter começado a comer chegou um outro empregado que me perguntou, muito desconfiado, se gostava. Disse-lhe que sim, que gostava muito. Ao que ele respondeu: "Os portugueses nunca comem esta sobremesa". 

 

 

Manteigas - pequenos prazeres que mudam os dias!

por Paulina Mata, em 30.03.17

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Adoro manteiga! De preferência bem fresca. Um bom pão com manteiga (por vezes quase manteiga com pão), é delicioso.

 

Normalmente como manteiga de vaca. Quase sempre dos Açores. Mas ultimamente tenho alternado com estas manteigas de ovelha e cabra. É bom poder dispor de uma maior variedade de manteigas com sabores e texturas bem diferentes.

 

Pequenos prazeres que mudam os dias!