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Assins & Assados

O Asiático - os sabores da Ásia que o Kiko nos serve

por Paulina Mata, em 21.01.17

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Fui a primeira pessoa a chegar. Sorte a minha!  Isso deu-me a oportunidade de, enquanto esperava pelas pessoas que comigo iam jantar, beber um Shochu e ir olhando à volta.  O restaurante, cujo espaço é da responsabilidade de António Martins, irmão do Kiko, é bonito, muito bonito! Zonas com características diferentes a fazer lembrar a Ásia, integradas num espaço sofisticado e com muita luz. Sentada no bar, uma mezzanine sobre a sala, fui olhando para os lindíssimos pássaros nas paredes. Não pude deixar de pensar que gosto muito dos restaurantes do Kiko. Espaços muito cosmopolitas e bonitos e uma cozinha reflecte bem uma personalidade, um percurso de vida e vivências bem integradas. 

 

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Entretanto as outras pessoas chegaram, tínhamos marcado a mesa do chefe, junto à cozinha. Era altura de passar à mesa e saborear uma variedade de pratos.

 

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Durante as suas viagens o Kiko esteve numa variedade de países asiáticos, as suas culturas gastronómicas e as suas cozinhas marcaram-no muito. Foi a vontade de partilhar estas experiências, recriando-as e moldando-as com as suas vivências e personalidade, e utilizando técnicas de cozinha actuais, que o levaram a abrir O Asiático.

 

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Logo, logo nos trouxeram o couvert, alguns flatbreads acompanhados por uma manteiga temperada com um leve sabor a levedura e polvilhada com especiarias e por uma gema cozinhada a 68ºC e com um gel de soja. Já a tinha comido antes e adoro! De tal forma que assim que o couvert chegou, pedi mais uma gema, só para mim (impossível partilhá-la...). 

 

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Surf and Turf Coreano - Espuma de Ostras, Tártaro Coreano de Novilho, Pêra Nashi e Alga Nori Crocante

 

Muito bonito, servido em conchas de ostra sobre pedras negras, foi por pouco que não provámos a alga nori crocante, moldada em forma de conchas, pois parecia mesmo conchas. Por cima do tártaro umas ovas de arenque, ao lado a espuma de ostras, mas o sabor destas também está nas folhas de ostra que acompanham o prato. Muito bom!

 

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Ceviche do Laos - Atum, Coco, Citronela e Lima Kaffir

 

A Cevicheria é ali quase ao lado... e este ceviche com sabores asiáticos estava tão delicioso e fresco quanto outros que lá comi.

 

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Chawanmushi de Miso com Vieiras - Chawanmushi de Miso, Vieiras, Cogumelos, Gelatina de Dashi e Panko

 

Este prato não foi amor à primeira dentada... a textura suave e cremosa do Chawanmushi, não contrastava particularmente com as vieiras e até com os cogumelos, tudo um pouco "escorregadio". Os sabores eram todos suaves. O contraste seria conferido com o panko temperado, mas não dava um contraste de textura suficiente. Levei tempo a tentar entender, acabei por gostar mais no final. Um prato que precisa de alguma afinação, um pouco mais de sabor nalgum dos elementos, um contraste de texturas. Apesar de tudo um prato interessante que, com algumas alterações, se pode transformar num prato muito bom.

 

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Borrego Indiano - Borrego, Cenoura Confitada, Achar de Kumquat e Especiarias

 

A inspiração na cozinha indiana é bem visível nas cores vibrantes, e depois nos sabores também. Por cima do borrego, com uma textura perfeita, estava um colorido crumble de pistácio e salsa. Cenouras com várias cores - amarelas, laranjas e roxas . confitadas, polvilhadas com um crumble de iogurte que conferia alguma acidez, um creme de iogurte e uma vinagreta. Cheio de cor e de sabor!

 

Para terminar os pratos salgados, 

 

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Espetada de Polvo em Teriyaki - Polvo, Bimis e Molho Teriyaki

 

O polvo grelhado e muito tenro, com um excelente acompanhamento de bimis (uma espécie de brócolos) em puré e salteados, ervilha torta e cebola temperados com uma vinagreta de Teriyaki.

 

Foi a vez dos doces e partilhámos dois:

 

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Floresta Negra Japonesa - Mousse de Arroz Fumado, Chocolate, Cereja e Matcha.

 

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Caril Doce - Bolo de Coco, Creme de Caril, Litchias, Manga Picante e Gelado de Iogurte

 

Duas sobremesas originais, muito bonitas e boas. Gostei mais da de chocolate, porque gosto mais do conjunto de sabores - a mousse de arroz fumado, uma ganache com molho de soja, um gel de cereja, o chocolate branco com matcha, e o galhos de chocolate preto. 

 

Uma excelente refeição, acompanhada pela sangria d`O Asiático, num espaço muito bonito. Um serviço muito simpático, todos os pratos apresentados e explicados com grande entusiasmo.

 

E sabem....?  Voltava já... desta vez para experimentar os outros pratos.

 

O Asiático

Rua da Rosa - 317, Lisboa

 

Primeiras 3 fotos DAQUI

 

 

 

 

 

 

 

Uma pessoa desconfia...

por Paulina Mata, em 10.01.17

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Impossível resistir a rir e a pensar com  O óleo de coco está-me a aleijar. Ordem de Sant'Iago e Espada para o óleo de coco! 

 

Eu também desconfio de superalimentos que fazem milagres e dão origem a seitas.

 

Vale a pena ver este episódio da Mixórdia de Temáticas e rir... e pensar...

 

 

Um Amor de Azeitonas

por Paulina Mata, em 04.01.17

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Esta semana comi dois pacotes de Oloves (Basil & Garlic e Chili & Oregano). As azeitonas são boas e souberam-me bem. Mas, sobretudo, fizeram-me pensar.

 

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Azeitonas, sem caroço e sem líquido, na forma de um snack, transportável, e em doses individuai. Azeitonas com um aspecto atraente, e um site muito bom.  Certamente atraiem novos consumidores, certamente induzem novas formas de consumo de azeitonas.

 

Tenho pena que por cá não sejamos mais exigentes com as azeitonas, tenho a sensação que o seu consumo é cada vez menor. Gostei muito das Oloves, e desejei que um dia tivessemos algo idêntico, ou seja formas de apresentação e consumo de azeitonas mais compatíveis com os tempos em que vivemos e que as promovam. 

 

 

1ª Foto DAQUI

 

 

Porto de Santa Maria - aliando tradição e inovação

por Paulina Mata, em 30.12.16

 

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Portugal evoluiu no que diz respeito ao turismo e à gastronomia, e 2017 vai ser um ano de mudança para o Porto de Santa Maria, em que o mote será aliar a tradição com inovação. Foram mais ou menos estas as palavras de Rodrigo Saragga, em representação dos proprietários do Porto de Santa Maria, no início do primeiro jantar vínico ali realizado e para o qual fui convidada.

 

Naquele dia de chuva intensa, o que o Chefe Paulo Matias nos propunha eram pratos bem diferentes dos da carta actual, emparelhados com vinhos da Adega Mãe. A escolha dos vinhos e a sua combinação com os pratos foi feita por António Guerreiro, o escanção do Porto de Santa Maria, com a colaboração de João Chambel. 

 

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Quando nos sentámos, sobre a mesa estava um couvert com diversos componentes de que se destacava um creme de beurre noisette e ainda azeites da Ourogal, tivermos oportunidade de provar três produzidos com diferentes variedades de azeitona.

 

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Tanto o creme de beurre noisette, como a análise das características dos diversos azeites provocaram logo uma animada conversa à mesa, que se prolongou nos momentos seguintes:

 

Entrada Quente 

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Ravioli de Lavagante, Creme de Crustáceos e Mangericão

Adega Mãe Viosinho

 

 

Entrada Fria

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Salmão Curado e Fumado com Papaia e Lima

Adega Mãe Riesling

 

Duas entradas bem diferentes, mas ambas muito boas. Destaco a segunda, prato cheio de cor e com uma variedade de texturas e sabores. O salmão muito firme, a papaia em creme, a beterraba, cenoura e pepino em pickles, a acompanhar ainda quinoa e algas, e um azeite de mangericão em duas formas, o azeite aromatizado e ainda este em pó. Um excelente prato.

 

Peixe

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Pregado com Estufado de Ervilhas e Chanterelles, Ovo Escalfado e Crocante de Trigo

Adega Mãe Dory reserva branco

 

O peixe, fresquíssimo e com um ponto de cozedura perfeito, a acompanhar ervilhas - vagem, grão, puré e os rebentos - e ainda, dentro do cilindro de pão crocante e muito fino, um estufado com pregado, cogumelos, ervilhas e presunto e sobre este um cremoso ovo escalfado. Um prato de um excelente nível.

 

Carne

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Duo de Carré e Pá de Borrego, Batata Doce Roxa, Legumes Assados, Couve Chinesa e Abóbora

Adega Mãe Dory reserva tinto

 

Um prato com cores e sabores do outono que a chuva e o vento lá fora não deixavam esquecer. Um prato que confortava.

 

Sobremesa

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Tarte Tatin com Requeijão de Terras de Sicó

Porto Vintage Burmester 1970

 

A sobremesa da responsabilidade da chefe Matilde Emiliano, um belíssimo empratamento para uma óptima sobremesa, também ela muito outonal. Para a acompanhar um vinho da riquíssima adega do restaurante, com mais de 1000 referências, e em que o vinho do Porto é conservado numa zona especialmente construída para o efeito, de forma a ser uma das mais frescas da garrafeira e assim permitir amazená-lo em condições óptimas.

 

Com os cafés e os chás, chegaram também os petit fours

 

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E no final a Matilde Emiliano chegou com um pequeno presente para cada um dos participantes no jantar, o da esquerda um bombom de caramelo com amendoim, o da direita com um sabor intrigante... um original recheio de lavagante. 

 

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Um excelente jantar, com uma cozinha com um nível muito elevado, e um emparelhamento entre os vinhos e os pratos muito bem conseguido, mas sobretudo um marco importante num processo de evolução de um restaurante de créditos firmados e com uma longa história, já que o Porto de Santa Maria abriu as suas portas em 1947. Um restaurante que teve uma estrela Michelin entre 1984 e 2008, e em que foi sentida agora a necessidade de acompanhar os tempos. Para tal fechará em Janeiro para obras. Quanto à cozinha depois da reabertura, Paulo Matias referiu que no seu trabalho terá em conta as características do restaurante e os seus pratos icónicos, a oferta será de uma cozinha tradicional mas em que introduzirá alguma contemporaneidade.

 

É importante que os restaurantes acompanhem os tempos, mantendo as suas características e continuando a apostar nos seus pontos fortes, neste caso a qualidade dos produtos, nomeadamente peixes e mariscos, e alguns pratos que são parte integrante da sua imagem e longa história. O chefe Paulo Matias terá um trabalho exigente, e está disso consciente. Contará com a colaboração de uma equipa em que alguns dos elementos ali trabalham  há mais de 20 anos. Espero que com a colaboração de todos, aliando tradição e inovação, cheguem a bom porto e que o Porto de Santa Maria continue o seu percurso de sucesso.  

 

Um bom Ano de 2017 para o Porto de Santa Maria!

 

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Fotos de Mário Cerdeira -100% Foto 

 

 Porto de Santa Maria - Praia da Cresmina - Estrada do Guincho - Cascais

 

 

Sushic Chiado - cozinha de inspiração oriental com identidade própria

por Paulina Mata, em 29.12.16

 

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Hugo Ribeiro gosta de comida oriental e sushi, gastava muito dinheiro em restaurantes, e um dia decidiu mudar de profissão e abrir o seu restaurante de cozinha oriental. Sempre tinha vivido em Almada e foi aí que o abriu - o Sushic.  Um restaurante em que a cozinha era de inspiração japonesa, mas não necessariamente uma cozinha tradicional japonesa. O objectivo era criar uma cozinha própria. O restaurante rapidamente atraiu uma clientela fiel, foi um sucesso. O nome Sushic começou a ser associado a uma cozinha de inspiração oriental de qualidade. E o objectivo passou a ser fazer mais e cada vez melhor. O restaurante original de Almada fechou recentemente, mas para abrir, também em Almada, num novo espaço, com mais qualidade. Esperam-se notícias para breve. Outros restaurantes Sushic abriram, do outro lado do rio Tejo. Um espaço no mercado de Algés, o Sushi and Oyster bar, inserido no Café Mensagem no Hotel Altis Belém, e o Sushic Chiado, todos com identidade própria e ofertas diversificadas. Foi neste último que há dias jantei, a convite.

 

Não conhecia ainda o Palácio Chiado, nele o Sushic Chiado ocupa, no 1º andar, um espaço privilegiado e muito bonito. Responsável pela cozinha é o Chefe Rui Fontes, que esteve no Midori, passou pela cozinha do The Fat Duck e recentemente estagiou no Japão. O restaurante oferece uma cozinha asiática com várias influências, China, Tailândia e Vietname, mas principalmente Japão, com um toque português. Há produtos e técnicas orientais e portuguesas que convivem nos variados pratos. Contudo, recentemente decidiram, no Sushic Chiado, apostar também numa oferta japonesa com uma maior vertente tradicional. 

 

Começámos a refeição com 

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Hirame Arai: pregado escaldado em dashi com cebolo e sugoma (molho de soja com pasta de sesamo negro e vinagre de arroz)

 

A que se seguiu a aba do pregado braseada e em nigiri, com ponzu, cebolo, flor de sal e um toque cítrico.

 

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 Nigiri de Engawa braseado com sumo de lima e cebolo

 

A seguir ao pregado, apresentado destas duas formas, foi a vez do salmonete, marcado na pele, com maçã granny smith marinada em vinagre de arroz, mirim e dashi, e com um puré de avelã.

 

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 Yakishimo de salmonete em sunomono de maçã granny smith e puré de avelã

 

Até aqui o vinho que acompanhou os pratos foi o Sushic Colheita 2015, um vinho produzido em Trás-os-Montes para o restaurante. Para o prato seguinte, foi servido o Quinta do Síbio, Field Blend 2015.

 

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Robalo ao vapor em dashi de tâmaras e citronela, creme de tâmaras, caril e espinafres suados

 

 

Pratos muito bem conseguidos, originais e reflectindo o conceito do Sushic.

 

As sobremesas do Grupo Sushic, são criadas por Francisco Siopa.  Experimentámos o Kioto em duas versões uma com esferificações de vinho do Porto e outra com ovas de peixe voador. Ganhou a segunda, a textura e umami das ovas conferia com componente que enriquecia a sobremesa e de certa forma a tornava mais coerente com a filosofia do restaurante.

 

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Kioto - ganache de chocolate, creme de tangerina, mousse de matcha, puré de castanha, sorvete de limão, espuma de soja e ovas de peixe voador

 

Ouvir Hugo Ribeiro falar do seu projecto, o entusiasmo com que o faz e o cuidado que revela em cada detalhe, permite compreender melhor o sucesso do Grupo Sushic. Ouvir Rui Fontes falar dos pratos que criou, permite apreciá-los melhor.

 

Uma óptima refeição num espaço privilegiado.

 

 

Sushic Chiado - Palácio Chiado. Rua do Alecrim 70, Lisboa

 

1ª foto DAQUI
 
 
 
 
 

Inacreditável!!! Inaceitável!!!

por Paulina Mata, em 28.12.16

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2017 será um bom ano se dos dez cronistas do Público que anteciparem o que vai mudar em Portugal e no mundo em 2018 cinco forem mulheres.

 

Inacreditável!

 

Será que as mulheres não têm nada a dizer?

 

Será que o Público sabe que estamos na Europa no final de 2016 (século XXI).

 

Coisas como estas são absolutamente inaceitáveis!

 

 

Hoje comi um ralador de cozinha

por Paulina Mata, em 28.12.16

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Hoje comecei a comer este ralador de cozinha. 

 

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Para os próximos dias tenho para me deliciar uma tesoura e um novelo de fio.

 

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Tudo isto parte de um presente de Natal, uma caixa de bons e originais chocolates da Amazing Chocolate Workshop.Tudo no tamanho original, tudo com um ar muito real, mas tudo de chocolate.

 

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Passei também pela loja. Dá vontade de trazer tudo. Uma caixa de ravioli e a carretilha que os cortou, alicates, pregos ferrugentos, pincéis, bisnagas de tinta... tudo  dá vontade de comprar e comer.

 

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Uma das coisas mais espantosas é esta cafeteira para fazer café no tamanho real e com todas as partes que a compõem.

 

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Ideias muito criativas, produtos lindíssimos!

 

Gioia, ou a alegria de uma boa cozinha

por Paulina Mata, em 12.12.16

 

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Gioia é a palavra italiana para alegria, e o restaurante talvez se chame Gioia Food Lab por estar localizado na Praça da Alegria em Lisboa, mas para mim foi mais marcante a alegria e entusiasmo com que os pratos nos foram apresentados, e também a alegria que nos proporcionaram.

 

Ao comando do Gioia Food Lab está o chefe Chefe Daniel Estriga a quem cozinhar dá muita alegria, pois é uma forma de se exprimir e de proporcionar alegria aos outros. Já tinha ouvido falar do seu projecto próprio Conceito Food Store em Bicesse, mas não conhecia o seu trabalho. O Daniel passou, entre outras, pelas cozinhas de Quique Dacosta e, em Portugal, pelo Largo com Miguel Castro e Silva, pelo Vírgula com Bertílio Gomes, e trabalhou ainda com Pauli Morais. No Gioia Food Lab foi desafiado para desenvolver uma carta que tivesse em conta as novas tendências alimentares, as preocupações com a saúde, as várias opções alimentares, o conceito e estética do local, e privigeliando alimentos biológicos e pequenos produtores, mas que proporcionasse prazer e alegria. Tudo isto sem fundamentalismos e com muita originalidade e criatividade.

 

Fui recentemente convidada para uma refeição no Gioia Food Lab para conhecer o seu conceito e a cozinha aí oferecida. O almoço começou com uma variedade de pães acompanhados por azeite e uma manteiga vegetal muito boa, sendo os pães e a manteiga confeccionados no restaurante. E continuou com:

 

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Maçã e Beterraba, iogurte frutos vermelhos e aromáticas

 

Excelente! Finíssimas fatias de maçã impregnadas com sumo de beterraba. Uma textura crocante, leve, fresco, delicioso.

 

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Pizza Fungos, várias texturas e espécies

 

A massa da base de espelta e kamut, cozinhada em forno de lenha, muito crocante e leve.

 

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Tártaro de Novilho, pickles e temperos

 

Nos temperos havia uma gema cozida a baixa temperatura e muito cremosa, molho holandês, pickles couve flor, cenoura, casca de melancia, pak choi e mostarda. Este último conferia uns apontamentos de textura muito bons e divertidos.

 

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Verde, Verde, Verde!!!  acelgas, ervilhas e clorofila

 

Um prato vegano, muito saboroso, bem diferente do habitual e, tal como o nome diz, completamente verde.

 

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Falso Arroz de Peixe, massa pevide, caldo de caldeirada, seleção de peixe corado

 

A massinha muito, muito saborosa, quase viciante, nos peixes boca negra, encharéu, lírio e chicharro.

 

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Bacalhau 67º, bacalhau meia cura, batata doce, pak choi

 

O bacalhau suculento e saboroso, o molho feito com a gelatina do bacalhau e um azeite com ervas muito agradável.

 

De seguida chegaram os doces, que são confeccionados sem adição de açúcar refinado.

 

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Doce da Casa, doce de banana, granola e espuma de maracujá

 

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 Earl Grey, espuma de earl grey e frutos vermelhos

 

Ambos pouco doces, mas muito agradáveis.

 

Para acompanhar a refeição, para além da água, para a qual têm um sistema de purificação e ionização que permite regular o pH (definir se é ácida, neutra ou alcalina), há uma variedade de opções de sumos e cocktails, para além do vinhos e cervejas. Para as bebidas, e em particular os sumos e cocktails, têm a colaboração do Ás de Copos. Começámos a refeição com um sumo Green Detox (ananás, maçã, aipo e menta) e ainda bebemos um cocktail Fruit Lab (Absolut Elyx, licor de japapenhos, pepino, hortelã, sumo de lima e xarope de agave).

 

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Uma óptima refeição, que vem provar que não usar determinados produtos comuns, ou fazer pratos compatíveis com certas restrições alimentares, pode não comprometer o resultado final em termos de gosto.

Acha normal?

por Paulina Mata, em 11.12.16

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Acha normal ter que declarar as doenças que tem ou as suas opções de vida, sejam sobre que assuntos forem, para ter que comprar qualquer coisa ou serviço? Eu não acho, e não estou disposta a fazê-lo.

 

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Achava normal que lhe dissessem: "pois se tem essas doenças ou essas opções não entre sequer"? Ou, pior que isso, "fique em casa"? Ou, ainda pior, "vão só a locais em que todos tenham a mesma doença ou opção de vida"? Eu não acho, e ficaria com muito pouca vontade, ainda que não tivesse nenhum desses impedimentos, de voltar a esses lugares. E tudo isto eu já ouvi de pessoas de alguma forma ligadas a restaurantes.

 

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Por isso não entendo como um número elevadíssimo de chefs, cozinheiros e restaurantes continuam a não apresentar opções vegetarianas ou veganas, e por vezes defendam um apartheid baseado na alimentação. Ninguém tem que apresentar a ficha médica, pedir por favor para lhe improvisarem um pratito (por vezes mauzito e bem longe do nível dos restantes da carta) ou declarar opções de vida. É uma questão de dignidade humana!

 

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Para além de defenderem um apartheid alimentar, o que me choca mais é que vivendo-se uma época de crise, nem sequer pensem no seu negócio. Cada vez há mais vegetarianos e veganos, a atestá-lo a existência neste momento em Lisboa de 33 restaurantes  exclusivamente vegetarianos, 12 destes exclusivamente veganos.

 

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Há público, e este é cada vez mais numeroso. E não são só os clientes vegetarianos e veganos que perdem. Quando na minha família nos reunimos para uma refeição somos, pelo menos, 27 pessoas e destas 5 são vegetarianas ou veganas e muitos outros comem regularmente refeições vegetarianas. Por vezes estas refeições (com todos ou parte das pessoas) são em restaurantes e, como é óbvio, o tipo de oferta destes é factor de escolha ainda que 22 comam tudo. Também há muita gente que come tudo e quer reduzir o consumo de produtos animais, ou aumentar o de vegetais, por isso os clientes seriam de um grupo bem mais vasto. 

 

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E, por favor, os pratos vegetarianos terem todos queijo, manteiga, ovos... é um absurdo, uma falta de imaginação, e de reconhecimento do valor dos vegetais. E excluem logo todos os veganos.

 

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Os restaurantes têm que ser cada vez mais inclusivos, é altura da situação começar a mudar, e das cartas terem opções para todos e essas estarem explicitamente identificadas. Seria um bom começo... é que em alguns restaurantes a que tenho ido há um menu de dimensão idêntica ao "normal" mas vegetariano e vegano.

 

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Violeta, obrigada pelas fotos, todas de pratos veganos, pelos desafios e pelas refeições juntas que abrem sempre novos horizontes.

 

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A Matabala e as Coincidências

por Paulina Mata, em 10.12.16

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Adoro coincidências! Há dias conheci uma pessoa que em conversa me disse que tinha estado em São Tomé e me falou de um tubérculo que tinha comido lá - a matabala - um tubérculo na altura muito desdenhado. Desconhecia-o, que me lembre, foi a primeira vez que ouvi falar dele.

 

Menos de uma semana depois, entrei na Vida Portuguesa no Chiado e dei uma vista de olhos aos livros. Um deles era sobre cozinha de São Tomé e Princípe: Sabores da Nossa Terra de Inês Gonçalves, Conceição de Deus Lima e Patrícia Brito. A capa atraente fez com que reparasse nele e o folheasse.

 

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A certa altura lá estava ela, a matabala, e uma série de receitas usando-a. Claro que trouxe um livro comigo. Impossível resistir. Ao lê-lo confirmei que a matabala, particularmente em São Tomé (pois no Príncipe onde é conhecida por kôkô foi sempre usada), até à independência era desprezada por todos os estratos sociais, sendo classificada como alimento para suínos, e o seu consumo, em situações de aperto, podia provocar algum embaraço e exigir discrição. Fiquei também a saber muito mais sobre este tubérculo originário da América tropical e introduzido em São Tomé e Príncipe a partir do século XVI, quando este arquipélago se tornou um importante ponto de passagem, e entreposto comercial, na rota marítima transatlântica entre África e as Américas

 

Depois da independência, e em particular nos anos 80, quando a situação económica levou a descontinuidades na importação de batata, a matabala passou a ser cada vez mais consumida e foi introduzida em alguns pratos para substituir a batata. Mas a responsabilidade principal no seu estatuto actual na gastronomia de São Tomé deve-se aos pediatras e nutricionistas cubanos que  convenceram as mães são-tomenses do alto valor nutritivo deste tubérculo e as incentivaram a dar papas de matabala às crianças.

 

Chamou-me a atenção a receita de Matabala Frita em Molho de Amendoim, para acompanhar chocos. Nela a matabala é cozida, depois cortada em palitos e estes são salteados numa mistura de pasta de amendoim com azeite. Talvez experimente um dia destes com batata, pois encontrar matabala por cá é uma missão impossível... Se em São Tomé ela foi introduzida em muitos pratos para substituir a batata, eu substitui-la-ei pela batata.

 

Muito bonito  e interessante este livro, com capítulos dedicados a ingredientes marcantes da cozinha são-tomense (Banana, Fruta-pão, Matabala, Folhas e Cacau) e que, a par com receitas tradicionais, incluí outras mais modernas. 

 

Foto inicial retirada do livro.