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Acho ridículo, mas...

por Paulina Mata, em 23.09.17

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Ai como eu acho ridículo quando as pessoas tiram fotos com gente conhecida e as divulgam! Mas hoje apetece-me ser ridícula. Um bocadinho deslumbrada. O que quiserem.

 

Gosto muito de ler o Jay Rayner, e também de ouvi-lo. Há dias ele foi falar sobre o livro The Ten (Food) Commandements (de que já aqui falei, e também aqui) num teatro perto e fui assistir. Cerca de uma hora em que, sozinho em palco e com o apoio de alguns slides e muito humor, fala dos assuntos sérios e complexos focados no livro. Depois uma segunda parte em que conversa e responde a questões do público.

 

Curiosamente nalgumas partes passava pequenos vídeos, em que em geral ele era o actor principal (por vezes em situação bem divertidas). Mas também contracenava com algumas pessoas conhecidas, como é o caso de Michel Roux Jr ou de Heston Blumenthal com quem ele estabelecia um diálogo (a parte do Heston gravada a dele ao vivo).

 

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Desta vez ainda tivemos um bónus no final, ele tocou piano.

 

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Já tinha ido uma vez a uma sessão destas relacionada com um outro livro. E há uma coisa que de certa forma me espanta e acho fascinante,  ele é um conhecido jornalista e crítico gastronómico, e faz este tipo de espectáculos para promoção dos seus livros, em que se expõe bastante ali ao vivo, com um sentido de humor e uma atitude de quem não se leva muito a sério, apesar de fazer um trabalho muito sério. Gosto muito! 

 

Ah! No final perguntaram-lhe qual foi a melhor refeição da vida dele. Disse que era difícil escolher... mas que se tivesse que indicar uma, diria que foi no The Fat Duck.

 

 

 

 

Sabe-se que se está num outro país quando...

por Paulina Mata, em 22.09.17

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Sabe-se que se está num outro país quando se vai ao supermercado, um supermercado de bairro, relativamente pequeno, e as caixas de saquinhos de chá à venda têm 240 saquinhos, 160 saquinhos, e as mais pequenas de alguns tipos de chá 80 saquinhos.

 

 

Burro al Tartufo

por Paulina Mata, em 16.09.17

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Há dias fui ao Leamington Food & Drink Festival, soava prometedor... mas chovia, o chão estava enlameado, e o festival era ao ar livre. Podia ter sido melhor... 

 

Numa das bancas, do Antonio Carluccio, com cogumelos e trufas estavam estes pacotes de manteiga com trufa negra de verão. Tão bonitos. Irresistíveis! Comprei um e meti-o no saco, passado um pouco fui tirar a carteira e o cheiro era maravilhos! Mas o melhor é que nos últimos dias me tem sabido mesmo muito bem!

 

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Empratamentos originais... mas já há quem peça o regresso dos pratos

por Paulina Mata, em 14.09.17

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Há um par de anos li, já não sei onde, um conhecido e inovador chefe dizer que uma vez tinha ido a um restaurante e lhe tinham servido um dos componentes de um prato como se fosse pasta de dentes, numa escova de dentes. Diz que teve dificuldade em meter aquilo na boca, mas que curiosamente os filhos acharam imensa graça e não tiveram qualquer problema. Todos temos os nossos limites... e todos eles são diferentes.

 

Eu, pessoalmente, aprecio até a estética da apresentação em que podem ser usados outros suportes que não os tradicionais pratos. No entanto, acho que teria alguma dificuldade em comer a sobremesa acima, servida sobre um penso higiénico. Uma sobremesa recomendada no radical restaurante Alcatraz em Tóquio.

 

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Onde é que a descobri? No site We Want Plates, que chama a atenção para empratamentos utilizando suportes diferentes dos clássico pratos, e de certa forma tem como objetivo lutar pelo regresso destes.

 

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Estive a ver e, nalguns casos, até já me serviram pratos em suportes idênticos aos que encontrei lá e até achei engraçado. Mas noutros, tenho que reconhecer que a falta bom senso e de bom gosto são grandes...

 

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e já que estamos numa de sapatos...

 

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Mas a delicadeza pode ser menor:

 

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Quanto a mim, cada um use os suportes que quiser... Tenhamos nós capacidade de nos divertirmos com eles, porque são interessantes ou porque o absurdo é tão grande que nos arrancam uma gargalhada.

 

 

Fotos DAQUI

 

Excepto a 2ª que é DAQUI  (Aviso! Tem empratamentos que poderão ser verdadeiramente chocantes.)

 

 

Why we fell for clean eating - Vale a pena ler.

por Paulina Mata, em 04.09.17

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Cada um tem o direito de comer o que entender, e isso nem discuto, e respeito. Compreendo que por questões ideológicas, religiosas e de saúde não se comam determinados alimentos. Já não compreendo é que se "vendam" dietas com benefícios pretensamente comprovados, ganhando dinheiro com isso ou não, quando de facto não há nada sério que o comprove e as ditas dietas possam até ser perigosas. E essas dietas abundam... são tantas que há sempre uma e o seu oposto... Modas sempre as houve, em tudo, e com o que comemos também... Agora endeusar uns alimentos chamando-lhes "superalimentos" ou "alimentos puros" e demonizar outros, é algo que também não entendo. E cada vez mais penso que seria necessário algum controle e tomar medidas que levem a opções mais conscientes.

 

Já algumas vezes abordei brevemente estes assuntos aqui. De facto não sou especialista e escrever de forma fundamentada requereria um tempo de que não disponho. Mas gostaria muito de ver, com igual visibilidade, textos sérios e bem fundamentados de especialistas no assunto sobre tudo isto. Gostaria também de ver textos sérios na imprensa, em vez de ver quase exclusivamente uns textos que são apenas uma quase amplificação de dietas sem qualquer fundamento sólido ou de presumíveis, mas não comprovados, benefícios para a saúde relativamente ao consumo, ou não, de determinados alimentos.

 

Este fim de semana passei um bom bocado a ler um artigo muito interessante sobre "clean eating":

 

"Why we fell for clean eating"  

de

Bee Wilson

 

Valeu a pena, e de facto a forma como as pessoas aderem a estes movimentos e a forma como reagem a opiniões diferentes dá que pensar...

 

Chocolates "Single Estate" e a sua Fascinante Diversidade

por Paulina Mata, em 26.08.17

 

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Há ainda relativamente pouco tempo o chocolate era visto quase como assunto de crianças ou de mulheres, consoante o tipo de chocolate. Felizmente houve quem o levasse mais a sério e agora a diversidade e a qualidade acessíveis a todos são bem maiores.

 

aqui tinha falado em tempos de chocolates da Willie's Cacao, e há dias encontrei uma caixa que achei muito interessante. O conteúdo eram 5 tabletes single estate, com características diferentes, mas todas com teores de sólidos de cacau semelhantes - entre 69% e 72%, e ainda um mapa com a localização de cada uma das propriedades e da fábrica e mais alguma informação.

 

 

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Comprei, e pensei logo fazer uma prova de chocolates para nos apercebermos das diferenças e tentar traduzi-las em palavras. Notámos as diferenças, expressá-las foi mais complicado... é mesmo muito difícil encontrar palavras para transmitir estas diferenças de sabores e aromas. Identificámos também o que gostávamos mais. 

 

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Mais tarde, na viagem de comboio de regresso, fizemos o teste ao contrário. Já conhecíamos os chocolates, já conhecíamos as características e o objetivo era identificar, perante a informação na embalagem, qual era qual. Aqui os resultados já foram melhores 3 certos em 5, ou seja cada um de nós trocou 2, que curiosamente não foram os mesmos.

 

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Foi divertido, e muito educativo. De certeza que vamos fazer mais sessões destas. 

 

 

Um chouriço com mais de três metros

por Paulina Mata, em 25.08.17

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Gosto tanto quando as coisas passam a ter outro significado porque as associamos a pessoas ou memórias. Na cidade onde estou em Inglaterra há, no centro, um supermercado polaco relativamente grande. Gosto de conhecer comidas diferentes, entraria sempre. Mas nos últimos dois anos tive várias alunas de Erasmus polacas, que me falaram da comida do país delas. Assim passou a ter outro significado. Entrar lá faz-me recordá-las e a conversas que tivemos.

 

A primeira a falar de kabanos foi a Dorota, depois foi à Polónia no Natal e ela, a Izabella e a Krystyna trouxeram para provarmos vários produtos polacos, entre eles kabanos, com vários temperos. A Monika dizia que não gostava nada dos nossos enchidos, que os deles eram diferentes e falava de kabanos. São um enchido de porco temperado com especiarias e fumado, muito fino e longo.

 

Já fui duas vezes ao supermercado polaco nos últimos dias e trago sempre uma embalagem de kabanos, e lembro-me sempre delas e destas conversas. Da primeira vez quando cheguei a casa, metade já estava comido. Da segunda vez contive-me, tinha curiosidade em saber o comprimento.  Medi: 3 metros e 5 centímetros.

 

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De vez em quando parto um pedaço para comer. Descreveria o sabor como sendo entre o chouriço e as salsichas. Gosto muito e aquela forma permite um modo de consumo diferente.

 

Ah! e trouxe também uma lata da pasta de fígado que a Mãe da Monika lhe mandava e que ela levou um dia para me dar a provar.

 

 

Chá com leite e o dilema sobre a forma de adicionar o leite

por Paulina Mata, em 24.08.17

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Nas últimas semanas cada vez que peço um chá preto, ele vem com um jarrinho com leite. Não costumava beber chá com leite, mas tal como "Em Roma, faça como os Romanos", achei que era um bom princípio em Inglaterra, fazer como os ingleses. Vai daí, tenho bebido chá com leite.

 

Numa das minhas aulas falo de chá, e um dos aspectos que refiro é o hábito de beber chá com leite. Há algumas razões para isso, quando o chá é forte, torna-o mais suave e também menos adstringente. De facto, os compostos fenólicos do chá ligam-se às proteínas do leite, e já não ficam disponíveis para se ligarem às proteínas da boca e causar a sensação de adstringência. O chá fica assim mais cremoso e "macio".

 

Mas uma questão que se põe é se se adiciona o chá ao leite, ou o leite ao chá. Diz-se que em épocas em que a cerâmica não tinha grande qualidade, era frequente a chávena partir-se quando se deitava o chá muito quente. Assim, as pessoas deitavam inicialmente o leite, para este arrefecer de imediato o chá e não correrem o risco da chávena se partir. Quando a qualidade da cerâmica melhorou, passou a ser de melhor educação adicionar o leite depois de deitar o chá. Assim mostrava-se que não se punha em dúvida a qualidade da cerâmica de quem oferecia o chá. Portanto as regras de etiqueta dizem que é de bom tom deitar o leite no chá.

 

Analisando de outra forma... Umas das proteínas do leite - as lactoglobulinas – desnaturam, ou seja são alteradas, a 78ºC e neste processo forma-se sulfureto de hidrogénio (cheiro a ovos podres). Portanto o aroma do leite muda. Todos sabemos que o cheiro e sabor do leite fervido é diferente do do leite que não foi aquecido a temperaturas elevadas. Estes compostos de enxofre do chá quente alterariam o sabor delicado do chá, e é desejável que não estejam presentes. Por esta razão o leite pasteurizado é apropriado para adicionar ao chá, mas não o leite UHT. Também a forma como se adiciona o leite ao chá pode ter influência na formação destes compostos.

 

Deitando chá sobre o leite a temperatura a que este está sujeito é menor.  De facto a temperatura do leite vai subir até à temperatura final da mistura. Por outro lado, se se deitar o leite sobre o chá as primeiras gotas vão estar sujeitas a temperaturas mais altas formando-se o sulfureto de hidrogénio. Ou seja, analisando com base no conhecimento científico, a não ser que se goste mais do sabor do leite fervido, tem vantagem colocar primeiro o leite na chávena e depois adicionar o chá. O processo é mais eficiente na remoção dos taninos e dá um sabor mais agradável.

 

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Falo disto tudo nas aulas, não gosto do sabor do leite fervido, e na hora de deitar deito sempre o leite sobre o chá. Há dias pensava nisto enquanto comia uma torrada e bebia um chá. Acho que ainda não sei dosear muito bem a quantidade de leite, e assim é mais fácil. Questionei-me também se o chá chegará assim tão quente que seja muito diferente. Acho que tenho mesmo que fazer a experiência... Depois conto.

 

 

 

Não sou vegan e não conto vir a ser. Mas gostei tanto do que comi no 1847 que já estou a pensar em voltar.

por Paulina Mata, em 20.08.17

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Havia que festejar, a tese de mestrado só se entrega uma vez na vida. Disse à minha filha que escolhesse um bom restaurante para irmos almoçar. Ela escolheu o 1847 numa das arcadas comerciais de Birmingham.

 

Entrámos, a sala no piso da entrada estava quase cheia, mas arranjámos uma mesa. Pedimos duas entradas e dois pratos. Nos vinhos a copo havia um português, o Alandra do Esporão, pedimos um copo para cada uma. Nada como festejar com vinho português!

 

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As entradas chegaram, e visualmente superaram muito as minhas expectativas. 

 

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Asparagus, avocado mousse, burnt vinaigrette, shallot rings

 

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Salt baked carrot, soy cream, crispy buckwheat, onion ash

 

O sabor superou-as ainda mais... Óptimos pontos de cozedura dos vegetais, muito sabor e bom contraste de texturas. A fasquia estava alta, agora as expectativas para os pratos eram bem maiores.

 

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Roasted cauliflower, pearl barley and almond risotto, baby spinach

 

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 Pressed potato terrine, turnip, charred broccoli, shallot puree, red pepper jus

 

Excelentes os dois, de novo bom contraste de texturas e carregados de sabor. Ainda por cima bonitos.

 

Inicialmente tínhamos pensado não comer sobremesa e ir a outro lado. Mas, perante o que tínhamos comido, quis experimentar uma sobremesa.

 

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Macerated cherries, banana custard, meringue

 

Boa, mas alguns pontos abaixo do que tínhamos comido antes. 

 

Um nível muito elevado. Apesar de já ter comido muitas coisas vegan boas, pertenciam a um outro campeonato. Esta foi sem dúvida a melhor refeição vegan que comi.

 

No  menu oferecido no 1847 todos os pratos são vegetarianos, grande parte deles vegan, e havendo ainda uma versão vegan para alguns dos que contêm queijo ou ovos. Curiosamente, a maior parte dos pratos são também sem glúten, ou havendo uma versão sem glúten para outros. Ou seja, cobrem uma variedade de restrições alimentares (vegetarianos, vegans, celíacos ou pessoas que evitam o glúten, intolerantes à lactose, alergias a ovos ou leite), oferecendo um produto de qualidade que satisfaz qualquer consumidor sem as ditas restrições. 

 

Se eu já não entendia porque é que a maior parte dos chefes não inclui no menu pratos vegan, bem pensados e com qualidade idêntica aos outros, passei a entender ainda menos... Para além disso é uma cozinha mais amiga da natureza e do ambiente, mais sustentável. E sendo estes conceitos uma "bandeira" de tantos, porque não alargam a oferta de pratos de vegetais? Não dá para entender...

 

Não sou vegan, não conto vir a ser, mas também não preciso de carne e peixe todos os dias... Do 1847 gostei tanto que já estou a pensar em voltar, para experimentar outras coisas.

 

 

Correndo na Volta ao Conhecimento

por Paulina Mata, em 19.08.17

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Também corremos na Volta... ao Conhecimento.

 

Com os trabalhos desenvolvidos para a dissertação de mestrado da Renata Monteiro:

 

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e do Bruno Moreira Leite:

 

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