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Bonsai - voltando ao Japão e recordando outras "viagens"

por Paulina Mata, em 16.01.18

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Gosto muito quando uma refeição não acaba no prazer que nos dá, mas faz pensar, faz procurar mais informações e conhecer mais ou faz despertar memórias.  Foi isto que aconteceu recentemente com uma refeição no restaurante Bonsai.

 

Não me lembro da primeira vez que comi sushi e sashimi, nem exactamente de onde, mas sei que foi em Londres. Mas lembro-me de onde comi pela primeira vez em Lisboa. Foi no restaurante Bonsai, onde comecei a ir há cerca de 25 anos. Até aí as minhas experiências de cozinha japonesa em Lisboa limitavam-se ao Kamikaze - O Vento de Deus, que não tinha pratos com peixe cru, mas tinha uma barriga de porco, que acho que era kakuni, que comi muitas vezes e que ainda hoje, 30 anos depois, me faz sonhar.

 

Estava a tentar situar-me no tempo e uma pesquisa na net ajudou, mas mais do que isso, ajudou a recordar. Encontrei o artigo "Eh pá, isto é peixe cru?" A história do Bonsai, o pioneiro do sushi em Portugal, do Tiago Pais. Gostei de o ler, muito do que ali está é-me muito familiar e despertou-me memórias. 

 

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Ao Bonsai devo ter começado a ir no início dos 1990. Penso que o restaurante já era da família Yokochi. Lembro-me de ver sempre Shintaro Yokochi no restaurante e Irma Yokochi a dirigir a cozinha. A Luísa Yokochi  estudava na minha universidade, no meu departamento. Tanto quanto me lembro nunca fui professora dela, mas conhecia-a de lá, e depois também do restaurante onde estava por vezes na sala. Durante mais de 10 anos fui lá muito frequentemente, depois começaram a abrir outros... não sei... acabei por deixar de ir.  Voltei lá há uns anos quando a Mio e o Ricardo Komori lá estavam. Quando entrei na sala, foi como que um regresso ao passado. Estava tudo mais ou menos na mesma, ou pelo menos como me lembro que era. Foi um excelente jantar, e encontrei lá o Lucas Azevedo que tinha ido a algumas aulas de uma cadeira que dou ao Mestrado em Ciências Gastronómicas. Quando os Komori foram para o Japão, soube que o Lucas Azevedo ficou a chefiar o restaurante e todas as referências que ouvia eram excelente. Ainda não tinha calhado lá ir, fui no mês passado. Fiquei na altura com a ideia de que a família Yokochi continuava ligada ao restaurante, confirmei agora no artigo do Tiago Pais que sim, que recuperaram a gerência do restaurante sendo a Luísa Yokochi a responsável.

 

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Entrar no restaurante voltou a ser como que um regresso ao passado, mas o que se come é diferente, e continua excelente. Pedi conselho ao Lucas, falou-me das beringelas, penso que da Quinta do Poial, compradas naquele dia no mercado do Príncipe Real. Penso que era a primeira vez que faziam aquele prato, e já só havia uma dose, pedi logo para a guardarem para mim. Estavam óptimas, assim como os outros pratos que foram vindo.

 

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Saí a pensar que tenho que voltar mais vezes, e quando voltar a Lisboa vou fazê-lo. 

 

 

Bonsai - R. da Rosa, 248, Lisboa

 

 

1ª Foto DAQUI 

2ª Foto DAQUI

Café e cafés... um mundo a descobrir...

por Paulina Mata, em 07.01.18

 

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Gosto de quase tudo. E como mesmo as coisas de que não gosto muito. Aliás pode até ser entusiasmante descobrir que podem ser tratadas de forma a que goste.  

 

Não gosto de aipo, o que até pode nem ser muito estranho, já as outras coisas de que não gosto são bem comuns, e a maioria das pessoas gosta delas: água com gás, melão e café. Como todas, mas uma talhada de melão ainda não me aventurei... Quanto ao café, gosto de sabor, como coisas com café, mas contam-se pelos dedos de uma única mão as bicas que bebi, e embora as beba, ainda não achei que fosse uma coisa que gostasse de beber com regularidade. Talvez um dia... A minha Mãe dizia que o facto de não beber café era uma resistência a ser adulta. Quem sabe... Mas bebo outras bebidas com café. Há uns meses diria que raramente, agora já mais frequentemente.

  

Os portugueses acham que sabem de café, que gostam de café, mas é interessante descobrir como noutros países se sabe muito mais, se consome muitíssimo mais, e se gosta de formas diferentes de o consumir. Foi com surpresa que há uns anos descobri que os finlandeses são os maiores consumidores mundiais de café - cada pessoa consome cerca de 13 kg por ano, enquanto em Portugal se consome apenas cerca de 4,7 kg. Considera-se mesmo que o mercado na Finlândia está saturado, e que mesmo que quisessem não conseguiam beber mais. Segundo este artigo nem sequer estamos no top 20 dos países consumidores de café. De facto, os escandinavos ocupam 5 dos 6 primeiros lugares da lista. Descobri também há uns anos a cultura do café na Escandinávia. Há muita gente a saber muito sobre café, a fazer as suas próprias misturas e a torrar o seu café, os campeonatos de baristas são comuns... tudo bem ilustrado no blog Nordic Coffee Culture. Nos países nórdicos bebe-se café com uma torra leve e em geral café de filtro.

 

Curiosamente, e também aqui relacionado com a forma de consumo do café, vim a saber que somos o país europeu com mais estabelecimentos de venda de café por habitante - 1 por cada 160 habitantes, enquanto nos outros países europeus a média é de 1 por 400 habitantes. Ou seja o nosso consumo é mais na rua, enquanto que o de outros povos é mais em casa.

 

Recentemente, descobri com alguma surpresa que o Vietname é o segundo maior produtor de café do mundo, logo a seguir ao Brasil, com uma produção que é o dobro da da Colômbia, o 3º produtor mundial. Foram os franceses que levaram o café para o Vietname em meados do século XIX, e a sua produção rapidamente se expandiu. O consumo lá é menor que o nosso - 3,6 kg por pessoa por ano, mas um dos maiores da Ásia. Têm formas próprias de o consumir, tradicionalmente é filtrado na mesa com um filtro individual que se coloca sobre a chávena. O processo é lento e diz-se que abre o apetite para o café, que a espera ainda faz com que seja melhor apreciado. Ao contrário dos nórdicos servem-no muito torrado e forte. Por isso, em geral, no Vietname o café, quente ou frio, é servido com leite condensado e bem doce. É o que tenho bebido num restaurante vietnamita onde por vezes vou. Frio e com leite condensado.

 

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Mas há outras variações, o café é servido com ovos e até com queijo ou manteiga. Há cerca de dois anos vi numa revista uma receita de Cà Pê Trung, o café vietnamita com ovos. Não descansei enquanto não fiz, e ainda saiu melhor do que eu imaginava. Dizem que foi inventado em meados dos anos 1940 por Nguyen Giang barman no hotel Sofitel Legend Metropole em Hanoi. Perante a escassez de laticínios para as bebidas de café habituais, ele inventou esta. O sucesso do café com ovo foi tal que ele abriu um estabelecimento para o vender, e agora vende-se por todo o lado em Hanoi, em geral dentro de uma tigela com água quente para não arrefecer (1ª foto).

 

Café, cafés... um mundo a descobrir...e muita vontade de aprender mais.

 

 

 

 1ª Foto DAQUI, onde também está a receita do Cà Pê Trung (embora noutras a quantidade de leite condensado seja bem maior...)

 

 

Síria - o pão e muito mais sabores... no Mezze

por Paulina Mata, em 05.01.18

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Li uma vez, não sei onde, que nos emigrantes, nas gerações que já nascem fora do país, se perde mais rapidamente a língua do que os hábitos alimentares e as memórias dos sabores. Não sei se é verdade, mas sei que o que comemos, as memórias gastronómicas são parte intrínseca da nossa identidade. 

 

Compreendo perfeitamente a resposta de Alaa Alhariri, uma estudante síria de arquitectura, quando Francisca Gorjão Henriques e Rita Melo lhe perguntaram de que é  que tinha mais saudades - do pão. Esta resposta foi como que uma alavanca para o projecto Pão a Pão - Associação para a Integração de Refugiados do Médio Oriente, que esteve na base da criação do restaurante Mezze. Recorrendo a uma campanha de crowdfunding, e depois de um período de formação, o Mezze abriu em Setembro no Mercado de Arroios.

 

Jantei lá em Outubro, e estive lá mais recentemente para um workshop de cozinha síria, seguida de um jantar em que nos sentámos todos à mesa, partilhámos a refeição que tínhamos preparado e conversámos. Uma óptima experiência! É sempre bom aprender a criar novos sabores, conhecer novos pratos e técnicas. Mas foi sobretudo bom pois as pessoas que ali estavam, a partilhar as suas experiências e a mostrar a sua cozinha, eram quase conhecidos pois já tinha lido sobre eles, as caras eram bem familiares. 

 

A Fátima, o Rafat, o Yasser, a Alaa, e o orgulho e entusiasmo com que nos mostraram a sua cozinha, e o apoio constante da Francisca Gorjão Henriques tornaram a experiência inesquecível. 

 

Começámos, como não podia deixar de ser, pelo pão e o Yasser, um exímio padeiro, demonstrou-nos como se fazia o pão sírio.

 

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Tudo o resto esteve a cargo da Fátima, com o apoio de todos. O Rafat e a Alaa, ambos falando um português excelente, traduziam e explicavam.

 

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No final sobre a mesa tínhamos:  khubz (pão sírio), hummus (pasta de grão), tabbouleh (salada de salsa), baba ganoush (puré de beringela), mandi (arroz fumado com pimentos), meshawi (espetadas de frango), tudo acompanhado de sumo de tamarindo. E para concluir a refeição harissa (bolo de sêmola de trigo) com café sírio (com cardamomo e as borras do café).

 

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Tudo muito bom, mas se pudesse destacar uma só coisa, seria o arroz. Óptimo, como tudo o resto, mas sobretudo por ter aprendido a técnica usada para o fumar que nunca tinha visto. Quase no final faz-se uma pequena cova no meio cobre-se com papel de alumínio (que forma como que uma pequena taça), dentro deita-se uma brasa incandescente, por cima dela um pequeno fio de azeite e tapa-se o tacho. O fumo que se liberta vai fumar o arroz. No final retira-se tudo, mistura-se o arroz e serve-se. E o sabor é espantoso! E a técnica fascinante! Nunca deixa de me espantar o engenho e criatividade para transformar alimentos e criar sabores tão característicos da cultura de cada povo.

 

 

Mezze - Mercado de Arroios, Rua Ângela Pinto, 12, Lisboa

 

1ª Foto DAQUI

 

Natal sem bolo Rei, não é Natal!

por Paulina Mata, em 09.12.17

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O bolo rei nasceu na Confeitaria Nacional, sendo a sua receita secreta seguida rigorosamente desde meados do séc. XIX. Foi inspirado no Gâteau des Rois, cuja receita, trazida de França pelo filho do fundador, foi modificada por vários mestres confeiteiros. Portanto uma tradição natalícia relativamente recente, mas rapidamente adoptada por todo o País. Tem os seus adeptos, mas também quem não aprecie, por não gostar da frutas cristalizadas. Penso que por causa disso foi criado, bem mais recentemente, o Bolo Rainha.

 

Eu gosto do Bolo Rei, e da graça e doçura que lhe dão as frutas. Um bolo que não dispenso nesta época. Ontem comi a primeira fatia deste ano. A escolha recaíu sobre o Bolo Rei da Alcoa. Uma estreia, dado que nunca tinha provado este Bolo Rei. A forma e a qualidade com que preservam a doçaria tradicional, e a renovam também, davam-me algumas garantias. É de facto é um bolo muito rico em frutas secas e cristalizadas e muito bom.

 

Natal sem Bolo Rei, não é Natal! E sem as luminações da Baixa também não. E sem mais uma série de outras coisas... Mas estas duas já me começam a fazer sentir na época! 

 

 

 

O Salt Cod Crispy Fishcake que me marcou o dia

por Paulina Mata, em 05.12.17

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Colocaram a entrada sobre a mesa, olhando para ela não me despertava memórias nenhumas, não a associava a nada. Apesar de  saber o seu nome Salt Cod Crispy Fishcake.  Uma esfera com um exterior bastante estaladiço, sobre alguns grão de milho e um creme feito com milho torrado. Destruí a esfera... era preciso para a comer. O interior pareceu-me mais familiar:

 

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Bacalhau desfiado, batata e salsa picada. Lembrava mesmo muito os nossos pastéis de bacalhau. Achei divertido. Será que os nossos pastéis de bacalhau serviram de inspiração? Nem me lembrei disso lá, e ainda menos de perguntar, só mesmo agora ao escrever, lá apenas constatei algumas semelhanças. Mas, pensando bem, há uma grande comunidade de portugueses em Leamington Spa, até já lá tenho ido fazer compras a uma mercearia portuguesa. E, claro, lá há sempre bacalhau. 

 

Soube-me bem, gostei da combinação do interior cremoso com a camada exterior estaladiça e com o milho. Gostei que de repente, num ambiente tão diferente que nem me fez suspeitar que a influência pudesse eventualmente terem sido os nossos pastéis de bacalhau, algo me ter feito lembrar de casa.

 

Os outros pratos foram simpáticos:

 

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Mas o que marcou mesmo a refeição foi o Salt Cod Crispy Fishcake.

 

 

The Tame Hare - 97 Warwick Street - Leamington Spa

 

 

O que esperar de uma sessão de show cooking com um chef conhecido?

por Paulina Mata, em 04.12.17

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Há dias assisti a uma sessão de show cooking de Michel Roux Jr, chef do restaurante Le Gavroche ( 2 * Michelin) em Londres, autor de vários livros, e que tem participado em vários programas de televisão.

 

Durante o tempo que ali estive, numa sala enorme com muitas centenas de pessoas, algumas grandes fãs e ruidosamente entusiasmadas, fui observando o ambiente e o que se passava no palco. Michel Roux Jr cozinhava dois pratos muito simples e tradicionais da cozinha francesa: Fougasse e Oeuf Cocotte Ardechoise. Uma massa de pão simples a que, depois de levedada, adicionou azeitonas e alecrim, e deu a forma característica da Fougasse. Quanto aos ovos, salteou boletus (que disse serem congelados pois apesar de ser a época deles, talvez devido ao tempo, estavam difíceis de encontrar, mas que os congelados são suficientemente bons), castanhas (que disse terem sido compradas já cozinhadas, descascadas em embaladas em vácuo), que temperou com salsa e dividiu por alguns ramequins. Abriu um ovo para cada um deles e por cima deitou natas temperadas com sal e pimenta. Levou ao forno a cozer em banho-maria.

 

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Receitas extremamente simples, saborosas, que muitos dos presentes vão seguramente repetir, e que Michel Roux Jr diz fazerem parte das refeições da sua família. Mas receita que não mostram as competências de um chef com 2* Michelin. Também uma atitude bem descontraída relativamente aos ingredientes, simples, acessíveis e inclusive dizendo que o que existe congelado ou embalado em vácuo nos supermercados é o suficiente para um bom prato, e dá muito menos trabalho.

 

Uma apresentação bem diferente doutras que tenho visto de chefs de nível idêntico, que normalmente fazem pratos complexos, com ingredientes pouco acessíveis, que refletem o seu trabalho. Sei que estava num evento para um público não profissional, e que eventualmente num contexto diferente, num evento para um público profissional, as escolhas seriam outras.

 

Contudo, perante aquilo a que estava a assistir ia-me perguntando quais seriam as expectativas das pessoas quando vão assistir a uma sessão de show cooking com um chef conhecido: Vê-lo cozinhar pratos simples, relativamente básicos que podem repetir em casa? Ficar a conhecer melhor a cozinha desse chef e conhecer novos produtos e técnicas? Por vezes a complexidade é tanta que ninguém entende nada... mas não seria isto simples demais? O que deve ser uma apresentação de um chef conhecido e reconhecido para um público de leigos?

 

Ainda não encontrei a resposta... 

 

 

 

 

Um encontro com uma velha conhecida

por Paulina Mata, em 01.12.17

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Há muito que a conhecia, desde Dezembro de 2013 - quase há quatro anos. Descobria-a acidentalmente, pesquisei sobre ela e passou a ser um dos temas discutidos nas minhas aulas. Nunca nos tínhamos cruzado, até hoje... Não esperava encontrá-la, e de repente, ela ali estava! Ela não é a mulher na foto, ela está sobre a mesa e é a Black Cow Vodka. A primeira vodka no mundo produzida a partir de leite.

 

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A família de Jason Barber estava envolvida na indústria de laticínios desde 1833, ele seguiu as pisadas da família e criava vacas na sua quinta, sendo o leite usado para produzir queijo Cheddar.

 

Uma das suas bebidas favoritas era vodka. Jason Barber sabia que a partir do leite das éguas se fazia nalguns países uma bebida alcoólica. Então decidiu produzir vodka a partir do leite das suas vacas, ou melhor, a partir do soro obtido no fabrico do queijo. Tinha ainda a vantagem de resolverem o problema de um desperdício, tornando-o útil.

 

Fizeram testes durante três anos, até desenvolverem um método e um produto que o deixou satisfeito. Começaram então a produzir para vender. Uma vodka diferente das outras, mais suave e mais cremosa. O sucesso foi tanto que se inicialmente a vodka era um sub-produto do queijo, rapidamente o queijo se tornou num sub-produto da vodka, como dizem a brincar.

 

Li um artigo no The Guardian sobre isto em 2013, achei muito interessante, passei a falar disto nas aulas. Nunca tinha provado. Até hoje... e se repararem bem no que está em cima da mesa, podem ver que provei todos os produtos daquele leite, ou seja o queijo e a vodka Black Cow. Não bebo vodka normalmente, por isso não sei comparar. Esta provei pura, e gostei.

 

Trouxe também para casa um conjunto destes, para provar " the whole milk" com mais calma:

 

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Gostei mesmo deste encontro inesperado com uma vodka conhecida!

 

 

2ª e 3ª Fotos DAQUI

 

 

 

Wagamama e o pequenos detalhes que fazem a diferença

por Paulina Mata, em 30.11.17

 

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A primeira vez que fui a um restaurante Wagamama foi no início dos anos 1990. Sempre gostei de comida oriental e na altura li sobre este inovador restaurante, bem diferente dos restaurantes orientais que frequentava. Embora agora haja outras coisas com características semelhantes, na altura não havia. Wagamama é uma palavra japonesa que significa "self-indulgent", "self-centered", "disobedient" or "willful" e também "naughty child", palavras estas que estiveram durante mais de uma década coladas na porta do quarto das minhas filhas (até elas saírem de casa). Os sacos do Wagamama traziam o significado da palavra e um dia, na brincadeira, recortei e colei na porta do quarto delas. Quando apropriado dizia-lhes que estavam a ser um pouquinho "wagamamas".

 

O conceito dos restaurantes Wagamama foi criado criado por Alan Yau, e o primeiro restaurante abriu em Londres em 1992. Ala Yau desenvolveu vários outros conceitos de restaurantes de sucesso em Inglaterra e posteriormente também os expandiu, ou criou outros, noutros países (EUA, Índia, Turquia...). Durante alguns anos fui seguindo o seu trabalho e visitando alguns dos restaurantes que desenvolvia, no início dos anos 2000 fui ao Hakkasan - Hanway Place, e depois várias vezes ao Yauatcha Soho, de que gostava muito. Estes dois acabaram por receber uma estrela Michelin que mantêm há vários anos. Mais tarde fui a outros restaurantes criados por Alan Yau, o Busaba Eathai, de comida tailandesa, e ao Cha Cha Moon de noodles (este último menos interessante).

 

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De tempos a tempos continuo a ir ao Wagamama, agora  uma cadeia de sucesso com mais de 140 restaurantes em vários países e mais de 120 em Inglaterra. Não tem já a originalidade do início, mas para mim tem um significado diferente das outras cadeias pelas razões que referi acima. Onde estou agora, na zona comercial, há um. Por vezes quando vou às compras vou lá almoçar, de facto tem uma oferta que se adapta a várias situações (e também opções vegan, o que é útil quando vou com a minha filha).

 

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Há dias fui fazer umas compras e almocei lá. A empregada de mesa, muito simpática, foi trazendo as coisas, perguntando se estava tudo bem. No final disse-me "Veio às compras? Veio relaxar um pouco? Outro dia esteve cá com a sua família, e lembro-me bem que é portuguesa." De facto tinha lá estado uns dois meses antes a almoçar com as minhas filhas, lembrava-me que a empregada de mesa nos perguntou de onde éramos, mas não me lembrava dela o suficiente para a reconhecer, de modo que foi uma surpresa, uma boa surpresa.  Aquela sensação de nos reconhecerem, de irmos pertencendo a um local... Pequenas coisas que fazem a diferença.

 

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Um almoço no Lyle's e uma questão sobre a coerência na atribuição das estrelas Michelin

por Paulina Mata, em 29.11.17

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Há dias, com uma amiga, em Londres, o Lyle's, em Shoreditch, foi o restaurante escolhido para almoçarmos. Nenhuma de nós conhecia e as duas já tínhamos ouvido falar bastante.

 

Chegámos a um espaço informal, com muita luz, decoração simples e austera e mesas sem toalhas. O chef é James Lowe que, soube posteriormente, foi chef do St John Bread and Wine um restaurante de que gosto e onde vou ocasionalmente há alguns anos, possivelmente até lá estive quando ele o chefiava. A cozinha é descrita como nova cozinha inglesa e o restaurante tem 1* Michelin.

 

Ao almoço escolhe-se à carta de um menu que varia diariamente. As doses são, com exceções, pequenas e podem ser partilhadas 

 

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O nosso almoço foi assim:

 

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 Pheasant Thigh, Yoghurt & Pomegranate

 

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 Celeriac Broth, Beef Fat & Cotswold White Egg

 

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Pig's Head Terrine

 

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 Mallard & Damson Toast

 

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 Quince Posset & Chestnut Meringue

 

Foi uma óptima refeição que acompanhámos com uma Fine Perry, uma bebida produzida a partir de peras (neste caso Blakeney Red Perry Pear) por um processo semelhante ao usado para a cidra.  Os três primeiros pratos excelentes, gostámos particularmente da terrina. Depois o nível baixou um pouco, já que na minha opinião o prato de pato com abrunhos (Mallard & Damson Toast) foi o menos bem conseguido. Os restantes pratos caracterizavam-se por sabores bem definidos e um equilíbrio que não encontrei neste. A sobremesa bastante agradável.

 

Um óptimo almoço, num ambiente e com um serviço simpáticos. Fiquei com vontade de voltar. Mas...

 

O restaurante tem uma estrela Michelin e não consegui encontrar aqui o padrão de exigência que associo a restaurantes com uma estrela - nem no conforto do espaço, nem no serviço, nem na comida. Sei que não fui ao jantar, em que a situação é diferente. Mas será que um restaurante com estas características, com um menu de almoço assim, e com uma loiça com falhas como estas:

 

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em Portugal teria uma estrela Michelin? 

 

Ainda outro dia foram anunciadas as estrelas (já agora parabéns aos novos estrelados e em particular ao Vista onde estive há poucos meses), e se voltou a discutir quem mereceria ou não, porque foram ou não foram atribuídas... e tenho que constatar que não vejo qualquer coerência de critérios, já que muitos dos restaurantes de que se falou têm globalmente um padrão de conforto, serviço e até de qualidade superior.

 

 

Lyle's - Tea Building, 56 Shoreditch High Street, London

 

 

1ª foto DAQUI

 

 

Provando Portugal em Londres

por Paulina Mata, em 25.11.17

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Tirei Queijo de Azeitão e pus no pão. Do outro lado da mesa uma jornalista inglesa perguntou-me se estava quente. Disse-lhe que não. Tanto ela como a outra jornalista que estava ao meu lado ficaram subitamente muito admiradas e  interessadas no queijo. Nunca tinham visto um queijo com aquela consistência à temperatura ambiente. Achei curioso o espanto, mas pensei melhor e também não conheço outros (a não ser alguns portugueses).

 

Estávamos em Londres, na Taberna do Mercado, numa apresentação para a imprensa do Taste Portugal (Prove Portugal), um programa da AHRESP com o apoio Governo, cujo objectivo é promover a gastronomia portuguesa, potenciar Portugal como um destino turístico e gastronómico, e implementar a primeira fase da Rede de Restaurantes Portugueses no Mundo. Para tal, pretende identificar, qualificar e apoiar 75 restaurantes em cinco países - França, Espanha, Alemanha, Reino Unido e Brasil -  onde se possa apreciar boa cozinha portuguesa.

 

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Depois de uma pequena introdução pelo Nuno Mendes e a Teresa Vivas, houve oportunidade de provar alguns produtos, ou seja de provar Portugal,  e de estabelecer um contacto mais informal com os jornalistas. Foi bom ter lá estado, poder conversar sobre a nossa cozinha e produtos. 

 

Por outro lado, tive oportunidade mais uma vez de constatar que o desconhecimento sobre a nossa cozinha é grande. É importante encontrar uma forma de a transmitir, uma imagem forte. Procurar o que a caracteriza e distingue, associar-lhe cultura, história e uma forma de vida.

 

Para terminar os excelentes Pastéis de Nata da Taberna do Mercado.

 

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Souberam-me tão bem! Um não chegou... um segundo veio logo atrás...

 

Esta sessão foi apenas o início de uma série de acções de divulgação do programa em Londres, que incluiu uma participação no Taste of London.